EM QUE SENTIDO HÁ UM PROBLEMA MENTE-CORPO?

Autores

  • CÍNTHIA ROSO OLIVEIRA Autor

Palavras-chave:

Eliminativismo. Reducionismo. Não-reducionismo. Causação.

Resumo

Afirmações do tipo “Essa alergia é psicológica” implicam em aceitar que estados mentais interferem nos estados físicos. O problema mente-corpo surge na medida em que também aceitamos dois pressupostos: 1. Que mente e corpo são distintos entre si; e 2. Que a “causação” implica uma produção ontológica na qual causa e efeito são semelhantes. Pois como poderia um estado mental, diferente de um estado físico, produzir mudanças físicas? O objetivo deste artigo é esclarecer em que sentido há um real problema mente-corpo. Para isso, é necessário distinguir algumas abordagens em relação à mente e à causação. Existem duas concepções referentes à causação: a ontológica e a epistêmica. Quanto ao conceito de mente, apontamos três abordagens: a eliminativista, a reducionista e a não-reducionista. Inicialmente, iremos apresentar a abordagem eliminativista de Churchland; em seguida, vamos apresentar
a abordagem não-reducionista de Chalmers; e, por fim, vamos expor a abordagem reducionista de Dennett. Se compreendermos que causação é um princípio que permite compreender os fenômenos do mundo, mas que não se refere a nenhuma interferência real entre estados mentais e físicos, o problema mente-corpo desaparece. Assim como desaparece para as perspectivas eliminativistas e reducionistas, nas quais a mente ou é eliminada ou é reduzida aos processos físicos do corpo. Apenas se compreendermos a mente como tendo alguma propriedade irredutível aos processos físicos, e que tal propriedade tem o poder de produzir mudanças físicas, é que haverá um real problema mente-corpo a ser investigado.

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Publicado

2026-05-27

Edição

Seção

Comunicações Científicas