A MENTE E A EVOLUÇÃO DA FICÇÃO: ESTADO ATUAL DO PROBLEMA
Palavras-chave:
: teoria da ficção; cognição; evolução cultural; teoria das affordances; homeostase.Resumo
Discussão das funções que fomentaram a evolução da ficção como prática cultural, observando como o seu processamento cognitivo permitiu que ela se estabilizasse como hábito individual. Argumenta-se que esses dois pontos se entrelaçam: a sinergia entre funções de grande apelo coletivo e um processamento cognitivo acessível teria favorecido a popularidade e o sucesso histórico da ficção. Quanto ao primeiro ponto, sugere-se que o seu surgimento e estabilização como prática social foi motivado pela sua disposição como affordance cultural de função homeostática, nos níveis individual e coletivo. Quanto ao segundo, discute-se a sugestão da psicologia experimental de que a leitura do texto ficcional não demanda quaisquer capacidades cognitivas excepcionais: a ficção se adapta às nossas predisposições mentais, e não o contrário; a sua leitura não pressupõe capacidades mentais desenvolvidas especialmente para ela. Defende-se que esses dois argumentos convergem na explicação das origens e do sucesso evolutivo e histórico da ficção, aqui definida não apenas como um atributo de certas produções humanas ou um conjunto de produções dotadas de características comuns, mas como uma prática cultural tradicionalizada.