UMA ONTOLOGIA DO CONCEITO DE AÇÃO EM PEIRCE
Palavras-chave:
Ação em Peirce; conceitoResumo
O conceito de ação é central em várias correntes do pragmatismo, notadamente aquelas que o tomam como um fim que se justifica por produzir efeitos práticos, a saber, efeitos que, ao fim e ao cabo, importam para o significado das teorias, cujo universo semântico volta- se para a solução de problemas humanos ou, em outros termos, vitais. Peirce, em diversas ocasiões, fez restrições a esta concepção de ação que, originária de seus contemporâneos James e Dewey, e sabemos hoje extensível ao neopragmatismo rortyano, a tomava como um fim em si mesmo, num errôneo e nominalista entendimento do conceito de efeitos práticos. Tal concepção, segundo Peirce, deixava à margem a generalização necessária e constitutiva do crescimento conceitual que o agir proporcionava, ou seja, desconsiderando-se o cerne semântico do pragmatismo, em seu aspecto reflexivo afeito ao diálogo semiótico entre o particular da ação com o geral do pensamento. De outro lado, tomando-se como eixo de reflexão na filosofia de Peirce suas categorias, o conceito de ação assume um aspecto ontológico, ligado às idéias metafísicas de existência e mundo exterior. Tal abordagem proporciona um conceito diferenciado de significação que se amplia e se harmoniza com uma filosofia realista, não antropocêntrica, como é a de Peirce. Este trabalho buscará mostrar, assim, a crítica de Peirce às visões reducionistas do conceito de ação e, sequencialmente, uma abordagem ontológica do conceito à luz das categorias do autor.