HANS JONAS E O PROGRAMA ÉTICO DE HUMANIZAÇÃO DA TÉCNICA
Palavras-chave:
HumanizaçãoResumo
O diagnóstico realizado por Hans Jonas a respeito do cenário tecnológico moderno parte de duas constatações: [1] a técnica é expressão ontológica da liberdade que marca a vida do ponto de vista evolutiva e [2] ela é um poder que adquiriu, na modernidade, um poder de crescente magnitude e ambiguidade para o qual as éticas tradicionais não seriam suficientes. Jonas propõe uma análise da dinâmica formal e do conteúdo substancial da técnica a partir de uma distinção entre a técnica pré-moderna e a moderna. Esta última seria marcada por seis estágios, marcados por um otimismo de cunho utópico e ao mesmo tempo apocalíptico: mecânica (tida pelo autor como o primeiro estágio do desenvolvimento tecnológico), química (que ofereceu a possibilidade de interferir, alterar e redesenhar os próprios padrões naturais, gerando um novo âmbito de artificialidade), tecnologia elétrica (que ampliou o âmbito da artificialidade, já que a eletricidade é uma força manipulável criada pelo homem), eletrônica (que descarta definitivamente a ideia de uma imitação da natureza, para inventar objetos, objetivos e necessidades próprias), até a biológica (tida como a última fase e a mais poderosa e perigosa de todas). Dado que os antigos valores não são mais suficientes para enfrentar os novos desafios, Jonas afirma que é preciso que seja desenvolvido uma qualificada capacidade preventiva e a admissão da austeridade como valor primeiro. A isso o autor chama de “humanização da técnica”.