PERCEPÇÃO E AÇÃO: A COR ESTÁ NA CABEÇA?
Palavras-chave:
Percepção; Cor.Resumo
A análise clássica da percepção sensorial, como a de Locke, partia da noção de que o mundo físico consiste de coisas possuidoras de qualidades primárias, como forma, tamanho, número, arranjo, movimento e solidez. Certas estruturas primárias (chamadas por ele de qualidades secundárias) teriam a potência de gerar em nós as qualidades subjetivas sensoriais, como cores, sons e cheiros. O termo “cor” poderia, assim, ser associado à qualidade secundária existente no mundo externo, como em uma flor violeta, ou à qualidade subjetiva (qualia) em nós gerada, a “violeteza” a que temos acesso de maneira fenomênica. Neste trabalho, investiga-se o aspecto subjetivo das cores, que chamarei de “coloridão”, por analogia às adjetivações usadas para exprimir os qualia das cores (azulidão, verdura, marronzice, etc.). A tese a ser defendida é que a coloridão localiza-se no cérebro dos animais que a vivenciam.