FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DO REALISMO NA ABORDAGEM DA PERCEPÇÃO DIRETA
Palavras-chave:
ABORDAGEM, PERCEPÇÃO DIRETAResumo
Este trabalho tem por objetivo analisar os pontos de contato entre a proposta realista natural de Hilary Putnam (1999, 2012) e a abordagem interdisciplinar da percepção proposta pela filosofia ecológica. Entendemos que Putnam, defensor da perspectiva realista, em sua mais recente proposta, o realismo natural, vai ao encontro da perspectiva da filosofia ecológica, retomando uma antiga questão filosófica: ‘como é que a percepção acopla-se ao mundo?’ Para oferecer uma resposta satisfatória ao ceticismo despertado pelo problema de como as representações mentais se conectam com a realidade, Putnam conclui que é imprescindível o abandono da noção de representação mental, tão arraigada na tradição filosófica. O realismo natural caracteriza-se justamente pelo realismo deliberadamente ingênuo: o abandono da ideia de representações mentais ou quaisquer intermediários entre o sujeito e a realidade “exterior”, a favor de um realismo direto. Seu propósito é fornecer um modo de entender as experiências perceptivas que não as transformem em uma interface entre sujeito e mundo. Não percebemos apenas as propriedades das imagens de uma tela cinematográfica interior, mas objetos, propriedades e relações concretos. A proposta de Putnam consiste em entender a percepção como percepção das coisas e não de “dados dos sentidos”. Apoiada nas hipóteses realistas de Putnam (1999, 2012) e Large (2003), argumentaremos que esses filósofos compartilham dos mesmos pressupostos: trata-se de um realismo ingênuo, segundo o qual a percepção consciente é direta, no sentido de que ela não é inferencial e não envolve qualquer tipo de mediação, nem mesmo das sensações. A percepção consciente é tratada de forma complexa, considerando a relação entre o ser consciente e o seu meio ambiente. A “reciprocidade” existente entre organismo e ambiente removeria a necessidade de qualquer separação dualista, comum na tradição filosófica. Os objetos reais estão disponíveis para a mente; ter consciência deles não ocorreria de modo inferencial, processual, mas sim direto. Para finalizar, propomos uma reflexão sobre os possíveis ganhos recíprocos da parceria entre a filosofia ecológica e o realismo de Putnam