HÁBITOS MENTAIS E CORPÓREOS: UMA NOVA PERSPECTIVA SOBRE O PROBLEMA DA RELAÇÃO MENTE E CORPO
Palavras-chave:
HÁBITOS MENTAIS, PERSPECTIVAResumo
Neste trabalho, propomos uma análise de questões em torno do problema da relação mente e corpo a partir do conceito de hábito, culminando na proposta subjacente a uma teoria sistêmica de hábitos, a partir dos conceitos de hábitos mentais e hábitos corpóreos. Inicialmente, discutimos o conceito de hábito na proposta dualista cartesiana e o seu estatuto para a resolução do problema da relação mente corpo nesta perspectiva. Para Descartes (1999), hábito é o que adquirimos por uma única ação e não requer longa prática. Segundo essa perspectiva, o hábito, presente nas principais paixões da alma, torna-se significante para as ações do corpo. Depois de expor a proposta cartesiana, expomos uma crítica a esta postura, seguindo o filósofo da mente Gilbert Ryle (1949), procurando explicitar a função do hábito para a explicação de estados cognitivos. Para Ryle, hábitos são disposições adquiridas pela repetição frequente de um ato. Este pensador distingue hábito de habilidade. Em sua visão, nem todas as ações comumente destinadas ao corpo podem ser consideradas hábitos, dependendo de como a ação é adquirida. Essas duas metodologias consistem em explanar como mentes podem influenciar e ser influenciadas pelos corpos caracterizando assim hábitos mentais e hábitos corpóreos. Diferentemente destas duas perspectivas, uma abordagem sistêmica não distinguiria radicalmente processos cognitivos dos processos físicos. Nossa intenção é averiguar como hábitos mentais e corpóreos podem ser entendidos, em uma perspectiva sistêmica.