INFORMAÇÃO E MECANISMO: ALGUMAS REFLEXÕES FILOSÓFICAS
Palavras-chave:
INFORMAÇÃO, REFLEXÕES FILOSÓFICASResumo
O presente trabalho tem como objetivo investigar a possibilidade de sistemas mecânicos artificiais possuírem a capacidade de lidar com informação significativa. Para isso, nos valeremos de teses a respeito da natureza da informação presentes nas obras de Alan Turing (1950), Dretske (1981), Gonzalez (2010) e Brooks (1990, 1991, 2002). Primeiramente, apontamos que Turing (1950) considera a mente como um sistema mecânico de processamento de informação. Para Turing, máquinas, biológicas ou não, manipulam informação a partir de regras rígidas e pré-estabelecidas para a execução satisfatória de uma função por meio de um conjunto de símbolos transmitidos através de impulsos elétricos desprovidos de uma semântica. Por outro viés, segundo Dretske (1981), a informação existe no meio objetivamente enquanto elemento natural constituinte do mundo, mas o significado não. O significado, para ele, é instanciado por sistemas dotados com as capacidades de representar, errar e aprender a corrigir os erros por meio de ajustes. Nessa perspectiva, máquinas como as de Turing, não lidam com informação significativa, pois, embora este tipo de máquina seja capaz, de alguma forma, de representar, é incapaz de aprender, dado que suas funções e comportamentos são dados a partir de regras rigidamente pré-estabelecidas. Em contrapartida, apresentaremos o projeto de Rodney Brooks cuja pretensão é construir modelos computacionais capazes de selecionar o comportamento mais adequado a partir de sua troca de informações com o meio em que estão situados. Podemos concluir, provisoriamente, que o projeto de Brooks aponta para a possibilidade de construção de máquinas que lidam com informação significativa. Por fim, partindo do pressuposto de que a informação se torna significativa quando é acoplada à ação e é capaz de corrigir seus rumos, analisaremos se os modelos computacionais contemporâneos (BROOKS, 1990, 1991,2002) apresentam algum tipo de complexidade que supere a manipulação simbólica pré-estabelecida.