A CONCEPÇÃO CONSTRUTIVA DE MEMÓRIA E O PROBLEMA DA CONFIABILIDADE

Autores

  • GABRIELA FERREIRA DOS SANTOS Autor

Palavras-chave:

Memória, Confiabilidade, Construção, Justificação, Crença

Resumo

O objetivo deste trabalho é investigar como a confiabilidade da memória pode ser compreendida quando esta não funciona como um sistema de armazenamento passivo, mas como um processo construtivo e generativo. Tradicionalmente, a memória pode ser concebida como uma espécie de arquivo no qual experiências e informações são armazenadas para posteriormente serem recuperadas. Entretanto, estudos discutidos na epistemologia da memória indicam que, especialmente no caso da memória episódica, lembrar não consiste simplesmente em reproduzir um registro previamente armazenado, mas envolve a geração e reconstrução de conteúdos, como apresentado na obra Memória do Izquierdo. Nesse contexto, surge a seguinte questão: como assumir a confiabilidade de uma memória quando ela não funciona como armazenamento passivo, mas como reconstrução dinâmica e situada? Fernandes em seu artigo Epistemic Generation in Memory, parte da hipótese de que o caráter construtivo da memória não implica necessariamente a perda de sua confiabilidade ou de seu valor epistêmico. Ao contrário, a possibilidade de reconstrução exige repensar em que condições uma lembrança pode produzir crenças verdadeiras, justificadas ou conhecimento. Para desenvolver essa questão, serão consideradas as discussões epistemológicas acerca da relação entre memória, justificação e confiabilidade, especialmente o debate entre preservacionismo e generativismo. Michaelis e Frise afirmam que, enquanto o preservacionismo compreende a memória como responsável por conservar a justificativa adquirida anteriormente, o generativismo admite que a memória pode produzir nova justificativa a partir da reconstrução de conteúdos. Nesse sentido, a confiabilidade da memória não dependeria necessariamente da reprodução inalterada de um conteúdo passado, mas das condições sob as quais seus processos de reconstrução podem conduzir a crenças verdadeiras e justificadas. O trabalho pretende, assim, mostrar que compreender a memória como construtiva não elimina sua confiabilidade epistêmica, mas desloca o problema de sua confiabilidade: em vez de perguntar apenas se a memória preserva fielmente aquilo que foi armazenado, torna-se necessário investigar como seus processos reconstrutivos podem contribuir para a formação de crenças confiáveis.

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)