A DESVINCULAÇÃO DO ELEMENTO ONTOLÓGICO NA DECISÃO EPISTÊMICA ENTRE TEORIAS CIENTÍFICAS: NOTAS A PARTIR DOS TRABALHOS DO JOVEM THOMAS S. KUHN

Autores

  • MATHEUS JURANDIR MOREIRA Autor

Palavras-chave:

Epistemologia, Filosofia da Ciência, Problema da demarcação, Thomas Samuel Kuhn, História da Ciência.

Resumo

A presente comunicação visa trazer à debate a compreensão de que a atividade científica de decisão entre teorias depende de buscar a complexificação da proficuidade técnica da teoria, mas prescinde de afirmar a ontologia imbricada à teoria. Tradicionalmente, as Ciências Naturais têm sido tratadas a partir de uma perspectiva sentencial, ou seja, buscou-se uma caracterização pela delimitação de sua atividade a um conjunto de sentenças e operações que, sob certa prescrição, definiriam uma metodologia. Assim, surge certa imagem segunda a qual a atividade científica depende da atribuição de valores de verdade a proposições a partir daquilo que as observações apresentam ao cientista. O problema é que essa imagem foi extrapolada para o âmbito da correspondência ontológica, de modo que se espera que as afirmações científicas reflitam algum comprometimento sobre a constituição ontológica do universo como elemento determinante para  a sua aceitação. Através de alguns casos históricos da ciência abordados por Thomas Samuel Kuhn,  no período de suas produções entre 1951 e 1961, mostrar-se-á que existe uma desvinculação de desenvolvimento entre a aplicação de teorias científicas e o comprometimento com a ontologia imbricada à sua interpretação. Os casos históricos da Revolução Copernicana, da aplicação da teoria do calórico por Carnot e do papel dos fenômenos adiabáticos na transição da teoria do calórico para a teoria dinâmica forneceram os elementos pelos quais será possível compreender  que a atividade científica parece estar intimamente ligada a uma preocupação de proficuidade técnica. Os avanços científicos aconteceram quando, a partir de uma complexificação das listas de observações, as modelagens qualitativa e quantitativa vigentes mostraram-se defasadas e sem mais recursos para diminuir o perímetro de aproximação entre previsão e observação. Assim, decide-se  por teorias a partir da análise de que essa ou aquela é mais capaz de oferecer recursos técnicos para se tratar observações de um tipo muito específico. Embora tenha papel importante nos vários momentos de desenvolvimento das ciências naturais, a ideia de que certa teoria está mais próxima à ontologia esperada do mundo parece não ser o fator epistêmico crucial na decisão entre teorias. 

Downloads

Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)