A CENTRALIDADE DA DIMENSÃO ECONÔMICA DA POBREZA NA PRÁTICA DA APOROFOBIA, SEGUNDO A FILÓSOFA ADELA CORTINA.

Autores

  • LARISSA MORAES CARDOSO DOS SANTOS Autor

Palavras-chave:

Pobreza; Aporofobia; Pobreza Econômica; Adela Cortina.

Resumo

O debate em torno do conceito de pobreza tem se desenvolvido ao longo dos séculos, possibilitando novas perspectivas e interpretações. Na atualidade, a compreensão mais difundida parece caracterizar a pobreza como um fenômeno multidimensional, abrangendo não apenas aspectos econômicos, mas também dimensões relacionadas à educação, à saúde, ao lazer e à qualidade de vida. Esse avanço representa um importante enriquecimento conceitual, uma vez que possibilita pensar a pobreza para além da insuficiência de renda. Contudo, mesmo essas interpretações mais recentes costumam permanecer vinculadas a uma ideia restrita de mínimo. Em geral, considera-se que a superação da pobreza depende do atendimento de um conjunto de necessidades básicas, sem que isso implique, necessariamente, o acesso pleno aos bens, oportunidades e relações socialmente produzidos. Ampliar o debate exige deslocar a discussão para o campo filosófico, possibilitando reflexões que alcancem dimensões mais profundas desse fenômeno social. É justamente essa proposta que orienta a conceituação da filósofa espanhola Adela Cortina, autora que cunhou o termo "aporofobia". Para Cortina, a pobreza pode ser compreendida como a incapacidade de participar de relações de troca e das dinâmicas sociais de intercâmbio. Pobre, portanto, é aquele que não dispõe de recursos socialmente valorizados para oferecer em uma relação. A partir dessa concepção, a aporofobia – entendida como a aversão, o desprezo e o ódio dirigidos aos pobres – manifesta-se como um preconceito voltado contra aqueles que não possuem o recurso de troca valorizado em determinado contexto. Esses recursos podem assumir diferentes formas, como votos, prestígio, inteligência ou influência; entretanto, aquele que mais frequentemente fundamenta a discriminação é o recurso econômico. Com base na leitura da obra “Aporofobia: a aversão ao pobre, um desafio para a democracia” (2022), este trabalho apresenta os resultados da pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), cujo objetivo consiste em investigar se, dentre as diferentes dimensões da pobreza presentes na formulação filosófica da autora, a pobreza econômica é aquela que incide com maior intensidade sobre a prática e a vitimização da aporofobia. Parte-se da hipótese de que, em uma sociedade na qual o dinheiro constitui o recurso socialmente mais valorizado, a privação econômica continua sendo o principal fator que expõe indivíduos e grupos à experiência desse preconceito, ainda que o conceito de pobreza seja mais amplo e multifacetado.

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)