A IGUALDADE E A CONSTITUIÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO EM HANNAH ARENDT
Palavras-chave:
Isonomia; Liberdade; Desigualdade.Resumo
Hannah Arendt espelha em boa parte de suas obras a experiência de viver como apátrida devido a condição de refugiada das perseguições antissemitas promovidas pelos nazistas na Alemanha. Pária em sua própria terra, sem lugar e sem direitos, a autora concebe a cidadania como o direito a ter direitos ao sentir na pele que a igualdade em dignidade e direito dos seres humanos não é um dado. Neste sentido, este trabalho busca demonstrar que a noção de isonomia é fundamental na arquitetônica arendtiana na medida em que a pluralidade é a condição ontológica da humanidade que só pode subsistir tendo como substrato a igualdade. Esta noção fica explícita quando retomamos a apropriação que a autora faz de Aristóteles ao recordar que a polis grega diferenciava-se da oikos pelo fato de somente conhecer iguais, ao passo que a família era o centro da mais severa desigualdade. Donde conclui que a igualdade é a essência da liberdade, estar entre pares é ser livre de toda desigualdade. A pólis se configura como este espaço onde não cabe a distinção entre governantes e governados, onde prevalece uma relação de iguais com iguais, assentada na ideia de uma dignidade humana de desiguais que precisam ser igualados externa e materialmente para formar uma organização política, um mundo comum (koinon). Por isso, o momento crucial da história do trabalho foi a abolição do requisito de propriedade para o direito do voto, a admissão do trabalhador no domínio público e sua emancipação como cidadão. Os trabalhadores lutam não apenas para defender seus interesses econômicos, mas travam uma batalha política ao aparecer no espaço público, agem e falam assentados na noção de humanidade, “qua homens, e não qua membros da sociedade”, a partir daí, “a política organiza, de antemão, as diversidades absolutas de acordo com uma igualdade relativa e em contrapartida às diferenças relativas” (Arendt. A condição humana).
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