O PENSAMENTO BRASILEIRO EM MANOEL BOMFIM: O PARASITISMO SOCIAL E A CRÍTICA AO EUROCENTRISMO

Autores

  • BRUNNA OLIVEIRA COUTINHO DOS REIS Autor

Palavras-chave:

América Latina, Formação social brasileira, Eurocentrismo, Manoel Bomfim, Parasitismo social.

Resumo

O presente estudo objetiva resgatar e compreender criticamente a interpretação de Manoel Bomfim (1868-1932) acerca do processo da formação social latino-americana, mais especificamente no contexto brasileiro. A peculiaridade da crítica bomfimniana reside na ênfase dada à singularidade da situação brasileira enquanto antiga colônia portuguesa, e a argumentação do intelectual sergipano perpassa uma revisão histórica do passado do país, a fim de entender como essa especificidade engendrou uma configuração étnico-racial, social e econômica completamente nova a partir da miscigenação imposta pelos processos de violência e dominação colonial. De acordo com Bomfim, o Brasil, enquanto subserviente de uma metrópole que se resignou diante da comodidade econômica proporcionada pela exploração do território e da força de trabalho nativa, passando, assim, a um capítulo de profundo atraso político ante um cenário de ascensão do que seriam as futuras potências do capitalismo internacional; toda essa conjuntura levou o país a se forjar enquanto uma nação igualmente retrógrada e retardatária. O aparelho burocrático e o Estado teriam sido, segundo o autor, transplantados mecanicamente da realidade portuguesa para cá, se apresentando, consequentemente, inefetivo frente às reais necessidades e demandas do conjunto do povo. Caracterizado como um reflexo das débeis instituições políticas de Portugal, o Estado brasileiro tinha como função principal resguardar os privilégios da elite dominante importada da metrópole, visto que a atividade econômica consistia, basicamente, na gestão dos lucros obtidos na produção da colônia e dos impostos. A escravidão, nesse sentido, constituiu o pilar essencial de todo esse arranjo sociopolítico e econômico, na qual a miscigenação funda, através da opressão e da coerção psicofísica, uma sociedade inteiramente distinta, permeada pelo profundo caldeamento racial. No início do século XX, momento em que Bomfim inicia sua produção teórica em torno das questões candentes de seu tempo, a literatura hegemônica partidária do racismo científico protagonizava o debate a respeito da constituição étnica do país. A intelectualidade consagrada do período direcionava seus esforços a culpabilizar a população escravizada pelas mazelas e cicatrizes da história brasileira, perdendo de vista seu fundamento material e histórico. Manoel Bomfim, portanto, aparece como um dos pioneiros no deslocamento da discussão do campo racial para o campo da totalidade das contradições, cunhando a categoria de parasitismo social para ilustrar a brutalidade da colonização e seus impactos permanentes na nação emergente, bem como para substanciar suas noções a respeito da questão racial e seu papel qualitativo – e principalmente decisivo – na formação social brasileira. Partindo de um arsenal categórico metodológico oriundo das ciências biológicas, Bomfim procurou elaborar uma análise distinta sobre o passado local, buscando, também, nas fontes históricas e nas ciências humanas os aportes necessários para fundamentar sua crítica ao eurocentrismo. Entendo, dessa maneira, que Bomfim traz uma interpretação contra hegemônica em torno da gênese brasileira, desse modo, o objetivo desse trabalho é investigar a atualidade de sua teoria e suas possíveis contribuições para se compreender a formação social da América Latina e sua respectiva realidade enquanto continente que abriga o principal sustentáculo do capitalismo imperialista contemporâneo, o subdesenvolvimento dos países colonizados. 

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Publicado

2026-09-28