PENSAMENTO BRASILEIRO EM ÉRICO SACHS: CONSCIÊNCIA DE CLASSE E VANGUARDA PROLETÁRIA.
Palavras-chave:
pensamento brasileiro, consciência de classe, teoria da revolução brasileira, vanguardaResumo
O presente trabalho busca discutir o problema da consciência de classe na obra Caminho e caráter da revolução brasileira, publicada por Érico Sachs em 1970. No texto, o autor desenvolve uma teoria da revolução brasileira a partir de uma singular análise da formação social brasileira. Escrito durante a ditadura militar, período em que ainda era hegemônica no movimento comunista a noção de que seria necessária uma revolução de caráter democrático-burguês para a realização plena e autônoma do desenvolvimento capitalista no país, superando por completo estruturas arcaicas intimamente vinculadas ao capital imperialista, Sachs parte de uma abordagem original ao considerar que a perpetuação dessas características constituem a forma particular do “ir sendo” do modo de produção capitalista dependente brasileiro. Assim, Sachs coloca a atualidade da revolução socialista na ordem do dia. Não haveria possibilidade de superação dessas relações de dependência dentro do próprio modo de produção capitalista, pois a contradição principal que marca a sociedade brasileira é a contradição entre capital e trabalho, e não entre nação e império. Para tanto, Sachs aponta que a linha estratégica dos comunistas no Brasil deve ser a formação da vanguarda dos trabalhadores da cidade e do campo (Sachs, 2024). Para a conformação dessa vanguarda, o papel do partido é de contribuir para o desenvolvimento da consciência de classe “em si” do proletariado em uma consciência “para si”. Resgatando as considerações presentes na Miséria da filosofia, a consciência “em si” é o tipo de consciência em que o proletariado atua como uma classe contra o capital, isto é, o nível preliminar de consciência na luta de classes. A consciência de classe “para si” supera qualitativamente esse primeiro momento, ao exprimir uma consciência não apenas de oposição à particularidade burguesa, mas a qualquer particularidade de classe (Mészáros, 2008). Esse “para si” da consciência não é simplesmente um maior nível de organização política. É o entendimento de que a própria classe proletária, no seu processo de autoconstituição, medeia consigo própria sua negação. Ou, em outras palavras, a luta do proletariado não é apenas pela superação do capital, mas de sua própria classe e da política. Desprovido de qualquer meio de produção, que não sua força de trabalho, o proletariado aglutina as contradições da sociedade moderna. Por isso, ao apresentar seu interesse particular, exprime a universalidade das necessidades humanas, assim, sua emancipação possibilita a emancipação da humanidade como um todo. O papel do partido nesse processo não é de levar de fora a consciência ao proletariado, mas de garantir sua independência de classe. O partido, enquanto vanguarda política, deve estar intimamente vinculado a sua classe em um processo dialético, sem se afastar ao ponto de apresentar ao proletariado táticas e estratégias que ultrapassam seu nível de consciência atual, caindo em uma ação voluntarista, ao mesmo tempo que não pode estar completamente imerso no seu cotidiano e rebaixar sua luta a uma luta meramente econômica. A partir daí que poderá se formar uma vanguarda revolucionária, constituída pelo destacamento mais avançado do proletariado consciente organizado no partido revolucionário.
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