UMA TEORIA DO “NOVO CRENTE”

Autores

  • BRUNO LUIZ VASQUEZ Autor

Palavras-chave:

cristianismo, capitalismo, tipo ideal, novo crente, era secular

Resumo

A admiração por Max Weber ofereceu-me duas oportunidades fundamentais para navegar em algumas demonstrações da religiosidade Protestante brasileira na Era Secular. De seu traçado das origens protestantes do Capitalismo, o sociólogo alemão abriu portas para que determinadas variações do pano de fundo religioso do Protestantismo contemporâneo fossem percebidas por mim não como tão estranhas, mas sim, como versões renovadas de um mesmo espírito muito antigo e permanente. De sua epistemologia das ciências do espírito, emprestou-me os tipos ideais, que conferiram a possibilidade e a validade científica ao conhecimento gerado por minha interpretação de certos indivíduos em suas ações religiosas na sociedade, e vice-versa. Assim, carregando comigo a égide de Weber, o presente resumo de pesquisa tem por ambição propor o embrião daquilo que batizei como “Nouveau Croyant” (do francês “Croyant”, Crente), ou "Novo Crente" - um tipo ideal weberiano que pretende ser uma estrutura para as possibilidades de compreensão de algumas das experiências de formação do self pensado por Charles Taylor, e do mesmo modo, de alguns dos processos de conversão Protestante no capitalismo tardio brasileiro. Tal qual o “Nouveau Riche”, que por sua ascensão particularmente recente e não herdada em capital faz-se valer consciente ou inconscientemente de uma constante demonstração de sua nova identidade perante seu novo grupo, o “Nouveau Croyant” caracteriza-se por sua recém-conversão Protestante à Jesus Cristo e pela prática constante da demonstração pública deste seu novo “self Cristão”. Ele, dentro destas práticas, tanto no mundo real quanto no digital - e especialmente no último -, não se abstém das tendências mundanas, mas sim, as converte ao seu modo conservador. Outro traço definidor deste “Novo Crente” é que, membro de uma classe média alta adepta do pensamento da meritocracia, tem sua fé calcada na estética motivacional e de sucesso material. Assim, o “Novo Crente” é, em suma, um subproduto neoliberal e neopentecostal. Almejo, com a construção e aplicação deste tipo ideal e defronte ao self e ao comunitarismo de Taylor, sondar como alguns indivíduos aparentam buscar significado através da religião em tempos em que o incentivo ao ter confunde-se, sem esforço, com o exercício do ser. 

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Publicado

2026-09-28

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)