O PESSIMISMO ORGANIZADO DE WALTER BENJAMIN E A ARTE POLÍTICA BRASILEIRA NA CONTEMPORANEIDADE.
Palavras-chave:
Arte, Walter Benjamin, Política, AlienaçãoResumo
A presente pesquisa propõe uma reflexão sobre o papel da arte nacional diante dos impasses da contemporaneidade. Vivemos um cenário em que a produção artística brasileira se encontra cercada por forças que buscam domesticá-la: de um lado, a ascensão de movimentos neofascistas e conservadores que tentam ditar o que a arte deve ou não expressar; de outro, a hegemonia da indústria cultural estrangeira e o avanço das inteligências artificiais, que reduzem a criação a um produto padronizado, voltado para a alienação das massas. Nesse contexto, a arte política nacional parece condenada a um duplo destino: ou é absorvida pelo mercado e esvaziada de seu potencial crítico, ou fica restrita às bolhas intelectuais, distante do público popular que parte desses movimentos aspirava alcançar. Diante desse impasse, propõe-se um reposicionamento. Em vez de lamentar a suposta falha de movimentos artísticos nacionais do passado, como o Cinema Novo, a Antropofagia modernista e a Tropicália, a pesquisa os compreende como blocos depositados em um muro em construção. Essa metáfora se diferencia do gesto cartesiano de derrubar o edifício do conhecimento para reconstruí-lo desde os alicerces. Aqui, o muro da arte brasileira não deve ser demolido: ele é uma biblioteca viva, onde cada geração acrescenta seus avanços, mesmo que incompletos, para que as gerações futuras possam utilizá-los diante de suas próprias adversidades. O fundamento filosófico dessa postura é o conceito de "pessimismo organizado" de Walter Benjamin, formulado em seu ensaio O Surrealismo: O Último Instantâneo da Inteligência Europeia (1929), que recusa tanto o otimismo cego quanto o desespero paralisante. Trata-se de agir com lucidez, sabendo que o presente pode não oferecer as condições para a plena eficácia da arte crítica nacional, mas ainda assim produzindo para um tempo que virá. A pesquisa defende que o ponto de união de todos os blocos desse muro é o caráter político da arte brasileira, que, mesmo sem a garantia de sua plena eficácia no presente, já atua como força de resistência ao desafiar as amarras da alienação e apontar para uma nação futura.
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