DO UNIVERSAL ABSTRATO AO MUNDO-EM-COMUM: CONTRIBUIÇÕES DE ACHILLE MBEMBE AO ENSINO DA FILOSOFIA BRASILEIRA
Palavras-chave:
Ensino da filosofia brasileira; Achille Mbembe; Mundo em comum; Pluriversalidade.Resumo
A presente comunicação parte do problema de que o ensino da filosofia brasileira ainda é amplamente orientado e estruturado por um universalismo abstrato de matriz europeia, conforme evidenciado pela historiografia e pela organização curricular, que privilegiam determinadas tradições e referenciais filosóficos em detrimento de outros, marginalizados e relegados a posições periféricas. Diante disso, formula-se a seguinte questão: como pensar o ensino da filosofia brasileira para além dos pressupostos do universalismo abstrato, sem renunciar à pretensão de universalidade própria do pensamento filosófico? Partindo dessa questão, objetiva-se investigar, por meio de pesquisa bibliográfica de caráter teórico-interpretativo, fundamentada nas obras e no pensamento do filósofo camaronês Achille Mbembe, em que medida sua crítica às heranças coloniais e ao universalismo abstrato oferece instrumentos conceituais para problematizar os fundamentos historiográficos e curriculares do ensino da filosofia brasileira. Em seguida, analisa se como o conceito de mundo em comum, elaborado pelo filósofo em diálogo com Aimé Césaire e Édouard Glissant, pode contribuir para a construção de uma perspectiva pluriversal do ensino da filosofia brasileira. A hipótese é a de que, ao constituir-se como um horizonte ético-político que reconhece a pluralidade das experiências humanas e denuncia as exclusões materiais, simbólicas e epistêmicas produzidas pela modernidade colonial, cujos efeitos ainda estruturam os inventários acadêmicos e os critérios de legitimação dos saberes filosóficos, o conceito de mundo em comum configura um referencial teórico capaz de reorientar criticamente os fundamentos historiográficos e curriculares do ensino da filosofia brasileira. Essa proposta não visa a substituição de um cânone por outro, mas a ampliação dos critérios de reconhecimento dos saberes filosóficos a partir da coexistência de múltiplas tradições de pensamento. Nesse sentido, a proposta se aproxima e dialoga com as reflexões do filósofo brasileiro Renato Noguera (2015) acerca da pluralidade e da necessidade de repensar o ensino filosófico brasileiro, desenvolvidas em seu texto O ensino de filosofia e a lei 10.639. A comunicação pretende, assim, contribuir para o debate da descolonização do ensino da filosofia brasileira, indicando possibilidades para uma formação filosófica capaz de reconhecer as diferentes experiências históricas e culturais que constituem o espaço filosófico brasileiro.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 GIL NSILU ESTEFANI ANDRÉ (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.