O INCONSCIENTE E O DESEJO EM O ANTI-ÉDIPO

Autores

  • EDUARDO CÉSAR VICENTE JÚNIOR Autor
  • PAULO CÉSAR RODRIGUES Autor

Palavras-chave:

Filosofia; Psicanálise; Inconsciente; Desejo.

Resumo

Este trabalho procura compreender os conceitos de Inconsciente e Desejo em O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Tais conceitos têm uma longa história tanto na área da Filosofia quanto da Psicanálise. A interpretação da dupla francesa — um filósofo e um psicanalista — rompe com a tradição representativa e dialética que historicamente fundamentou ambos os conceitos, operando um deslocamento conceitual que altera o paradigma. Isto é, o desejo e o inconsciente, em seu sentido histórico, sempre foram explorados pelo seu caráter negativo. Podemos analisar tal espectro negativo na psicanálise freudiana, que pensa o desejo como falta. Desde seus primeiros passos, o ser humano busca reproduzir a cena  primária da qual deriva sua primeira experiência de satisfação. A falta se funda nessa tentativa de  reencenação; o desejo então encarna na pulsão, por exemplo, o indivíduo movimenta sua libido para o objeto desejante, mas, quando atinge a meta, sua falta não desaparece, e isso se repete. O inconsciente freudiano, assim como o desejo, também é negativo, uma vez que sua forma de expressão não é direta e clara, mas sim de maneira expressiva, representacional. Deleuze e Guattari criticam essa visão freudiana, pois tirou do inconsciente sua maior potência, que é seu viés produtivo. Segundo os autores, Freud substituiu a “fábrica desejante” por um teatro representacional, que reencena o drama da família burguesa. O plano conceitual do Anti-Édipo é o das máquinas desejantes que produzem na realidade, de maneira excessiva e imanente. Nessa configuração desejante não existe o mito do objeto perdido; o que existem são fluxos, acoplamentos, extrações e cortes. Diferentemente da concepção freudiana, o inconsciente  maquínico habita a imanência do mundo, produzindo linhas que vão além da família nuclear. Esses fluxos políticos, econômicos e sociais compõem os agenciamentos nos quais o sujeito escolhe se engajar. Esses agenciamentos possibilitam ao sujeito desejante criar suas próprias linhas de fuga, que o permitem elaborar modos de vida singulares que tencionam as capacidades normativas do sistema capitalista. O presente trabalho foi realizado com apoio da CAPES – Código de  Financiamento 001. 

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Publicado

2026-10-01

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)

Dados de financiamento