O ECLIPSE DA IGUALDADE E A TEORIA DO PARALELISMO PSICOFÍSICO NA FILOSOFIA ESPINOSANA: UMA LEITURA DE CHANTAL JAQUET.

Autores

  • LARISSA NARDO BAIO Autor

Palavras-chave:

igualdade, paralelismo, simultaneamente, afeto, Espinosa

Resumo

A presente comunicação é um convite para pensar a doutrina do paralelismo psicofísico que foi atribuída a Espinosa, mas tem sua origem, segundo Chantal Jaquet, em Leibniz, que faz  referência explícita ao termo. Emprestada para explicar a união do corpo e da mente na filosofia de Espinosa, sua importação, para a autora, apesar de cômoda, é prejudicial, quando não,  desnecessária. O principal argumento, que deveria afastar qualquer outra denominação, seria o de que o próprio autor, ao referir-se à teoria da expressão, utilizou o termo igualdade. O sistema de  paralelas ajuda a compreender como os atributos podem ser independentes. Não há uma causalidade recíproca entre eles. O corpo não é subordinado à mente, e a mente não é subordinada ao corpo. Eles são incomunicáveis. Contudo, o paralelismo não dá conta da totalidade do discurso  misto espinosano que manifesta uma união psicofísica que se expressa tanto pela unidade quanto  pela diferença e divergência. Espinosa rompe com o cartesianismo ao considerar o pensamento e a  extensão atributos, independentes e autônomos, de uma substância una: Deus. A igualdade em  Espinosa não se confunde com uniformidade e sustenta que a ordem e a conexão das ideias seja a  mesma que a ordem e a conexão das coisas, sem que haja uma repetição ao infinito, sem que haja  entre os atributos uma correspondência termo a termo. O abandono do paralelismo não exclui as dificuldades que repousam na compreensão do que seria a união psicofísica em Espinosa, mas nos  aproxima do seu conhecimento adequado. Ao tratar da unidade do corpo e da mente, Espinosa  utiliza, alternado ou em conjunto, o adjetivo igual e o advérbio simultaneamente. O campo  privilegiado de investigação da igualdade entre a potência de pensar e a potência de agir, para a autora, é a terceira parte da Ética. Para traçar a origem e a natureza dos afetos, o autor aciona um discurso misto, que considera simultaneamente o pensamento e a extensão, o que até então não  havia aparecido em sistema. 

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Publicado

2026-10-01

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)