ESTUDOS DE HISTÓRIA E DE FILOSOFIA DA PSICOLOGIA: UMA TIPIFICAÇÃO EPISTEMOLÓGICA DAS ABORDAGENS PSICOTERAPÊUTICAS
Keywords:
Filosofia da Psicologia; Filosofia da Ciência; Epistemologia; Psicanálise; Terapia Cognitivo-Comportamental.Abstract
Na presente pesquisa, partimos da tese de que a Psicologia não se constitui por modelos conceituais (teóricos) paradigmáticos de mente e ser humano, o que acarreta uma carência de unidade epistêmica para tal campo de saber. Assim, a Psicologia se encarregaria, dentro do seu domínio de ação científica, menos da produção teórica do que da técnica, apresentando-se mais como uma ciência da técnica psicoterapêutica. Com efeito, tal arranjo de coisas é tributário da complexidade e da própria natureza do objeto da Psicologia, não redutível a propriedades naturais, mas composto por elementos qualitativos e existenciais, os quais representam uma verdadeira contraface à objetividade quantitativa típica das ciências naturais, sendo, assim, caracterizados como de domínio da subjetividade. Assim, resta-nos a interrogação: o que está acontecendo, epistemologicamente, nesse campo de conhecimento e de atuação na atualidade brasileira? Depois de tal demarcação e mapeamento históricos, a seguinte pergunta talvez possa ser respondida: o que é a Psicologia? Em qual categoria de conhecimento ela se enquadra? Ou o que caracteriza a Psicologia enquanto tal? Assim, visamos dimensionar o alcance da Psicologia, situando-a epistemologicamente. Nosso objetivo é responder a tais indagações a partir de dois métodos: investigação conceitual e análise comparativa. O primeiro visa responder se existiriam ou não possíveis critérios mínimos, adequados e razoáveis de demarcação no amplo domínio da Psicologia. Nesta primeira etapa, tomamos como referencial os seguintes filósofos (brasileiros) da ciência: Luiz H. A. Dutra e Newton C. A. da Costa. Seguidamente, produzimos uma análise comparativa entre as duas principais modalidades de abordagem psicoterapêutica praticadas no Brasil: a Psicanálise, a partir do referencial do filósofo (brasileiro) da Psicanálise R. Mezan, em que se caracterizam pesquisas clínico-qualitativas de orientação vertical (idiossincrática); e a Terapia Cognitivo-Comportamental, a partir de referenciais diversos, em que se caracterizam pesquisas epidemiológicas descritivas de orientação horizontal (nomotética). Assim, visamos defender a tese de que o principal objeto de estudo da Psicologia são os raciocínios clínicos (abdutivos) subsistentes às intervenções e práticas clínicas em âmbito psicoterapêutico.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 MARCOS VINÍCIUS WOELKE DE OLIVEIRA (Autor)

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.