O REOMODO DE MOGOBE RAMOSE: REFLEXÕES SOBRE MOVIMENTO E LINGUAGEM NA FILOSOFIA UBUNTU E NA FILOSOFIA AFRO-BRASILEIRA
Palavras-chave:
Reomodo, Filosofia Africana, Filosofia Afro-Brasileira, Ubuntu, Mogobe RamoseResumo
Este trabalho busca desenvolver as reflexões do filósofo sul-africano Mogobe Ramose, em A Filosofia do Ubuntu e Ubuntu como uma Filosofia, com um foco direcionado ao uso do conceito de Reomodo enquanto parte essencial para a compreensão do significado da Filosofia Ubuntu do ponto de vista de uma análise linguística e ontológica. O conceito nos convida a uma análise além do modelo sujeito-verbo-objeto, centralizando o verbo como o centro do ser e vir-a-ser, tornando possível toda a ontologia e epistemologia da Filosofia Ubuntu, marcada pelo papel do sujeito enquanto parte de um movimento coletivo permanente e contínuo, ao invés de um sujeito indivíduo. Parafraseando Ramose, este pressuposto filosófico "cria uma ‘atmosfera familiar’; sugerindo um tipo de afinidade filosófica e um parentesco entre o povo nativo da África", indicando que as ideias apresentadas se estendem para além dos povos falantes de línguas bantas. Nosso horizonte neste trabalho é esboçar esta afinidade filosófica com a Filosofia Afro-Brasileira, que possui profundas influências bantu, mas também iorubá, hauçá e outras culturas de origem africana, que continuam se desenvolvendo no Brasil e na América Latina até os dias de hoje, mantendo influências filosóficas especialmente em manifestações socioculturais. Por esta óptica, compreender este aspecto da Filosofia Ubuntu significa compreender a Filosofia Afro-Brasileira e, por sua vez, a Filosofia Brasileira em seus aspectos mais originais e menos explorados até hoje. Inicialmente, iremos expor as ideias essenciais do texto de Ramose em uma ordem distinta da original. Enquanto o autor apresenta o conceito de Reomodo somente no meio do texto, tomaremos o mesmo como ponto de partida em nossa exposição, explicando de que forma o conceito cria uma revolução linguística sem a qual o conceito de Ubuntu não pode ser compreendido ou sequer existir com qualquer sentido. Posteriormente, utilizaremos o conceito enquanto ferramenta de análise, tomando como base novamente o texto original de Ramose, desta vez analisando o conceito de Ubuntu e Umuntu, apresentando a dimensão linguística essencial para compreender esta Filosofia e sua ontologia de movimento e continuidade, juntamente com as implicações coletivas, que são cruciais e determinantes se tratando do Ubuntu. Feito isso, indicamos os paralelos encontrados entre a Filosofia Ubuntu e a Filosofia Afro-Brasileira em seus diversos pensamentos e expressões, buscando resgatar e evidenciar esta relação, conectando este ramo da Filosofia Brasileira aos conceitos estabelecidos em suas raízes. Desta forma, realizaremos uma aplicação dos conceitos linguísticos e ontológicos do Ubuntu à Filosofia Afro-Brasileira por meio da identificação de seus pontos de convergência.
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