O FANATISMO EM VOLTAIRE

Autores

  • JÚLIA SERRANO SANCHES Autor
  • PEDRO GERALDO APARECIDO NOVELLI Autor

Palavras-chave:

Fanatismo, Voltaire, Intolerância, Religião, Política.

Resumo

Este trabalho tem por objetivo expor a questão do fanatismo e suas dimensões no comportamento humano, relacionando-o com a filosofia iluminista de Voltaire (1694-1778). Possivelmente influenciado pela educação jesuítica na juventude, o tema do fanatismo tornou-se frequente nas obras de Voltaire, conhecido pelos textos recheados de ironia e um racionalismo bem humorado, como vemos em obras como Cândido, ou o otimismo, uma sátira da sociedade, protagonizada por um personagem exageradamente otimista. Nesse sentido, passeando pela história, vemos que foi no século XVIII que ocorreu o auge do incentivo à razão e pela busca pelo conhecimento, movimento nomeado de Iluminismo, período também conhecido como Século das Luzes, que foi palco de grandes debates acerca do fanatismo, principalmente religioso e político. Por meio de críticas ferrenhas à monarquia francesa e à religião cristã, Voltaire teve grande influência em sua época, sendo perseguido e preso na Bastilha mais de uma vez, além de ter sido obrigado a deixar Paris em certos momentos. Sua influência sobre o povo, principalmente o povo francês, era tão grande que muitas vezes se envolvia em casos que envolviam o fanatismo religioso, como o caso da família Sirven, injustamente acusados pelos calvinistas de Genebra de assassinar a própria filha, e do caso do cavaleiro de la Barre, condenado à morte por blasfêmia, sendo queimado com sua edição do Dicionário Filosófico, de Voltaire. Mas o caso mais famoso é o da família Calas, acusados de matar seu filho mais velho por ele ter se convertido ao catolicismo, indo contra a religião huguenote da família. Tal caso rendeu um de seus livros mais famosos, Tratado sobre a tolerância, que escreveu com o objetivo de obter uma revisão do caso e a restauração dos direitos da família, denunciando a mistura da religião e da justiça. O fanatismo, para Voltaire, é uma raiz presa ao cérebro, agindo quase como uma doença incurável, já que, para o fanático, é crime não pensar como ele. Além disso, o sentimento fanático causa o sintoma da superioridade, que acaba levando a casos como, trazendo para os dias atuais, o bolsonarismo no Brasil, que, além de causar casos de violência durante e depois das eleições, também colocou em risco muitas dessas pessoas cegas pelo fanatismo por ouvirem apenas o que quisessem. Também há um falso sentimento de imunidade e até mesmo de intuição heróica, pois há uma certeza de que “como estou certo, irei fazer de tudo para salvar o próximo”. Tal pensamento pode acabar levando, como já levou anteriormente, à violência extrema e à morte. Com isso, Voltaire pregou a importância da filosofia e do pensamento racional em detrimento do fanatismo e da intolerância, embora a racionalidade extremada também seja um tipo de fanatismo, pois uma mente extremamente racional acabaria deixando de fora a empatia pelas pessoas que se entregam ao fanatismo para se sentirem parte de algum grupo. 

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Publicado

2026-10-01

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)