A NAÇÃO E A CLASSE NO PENSAMENTO BRASILEIRO E LATINO-AMERICANO
Palavras-chave:
Nacionalismo, Teoria da Dependência, Socialismo, Nação-Continente.Resumo
O presente trabalho busca articular as ideias e as críticas referentes ao nacionalismo no contexto brasileiro, mas também latino-americano, fundamentando-se nas obras Nacionalismo oligárquico e nacionalismo revolucionário de Jorge Enea Spilimbergo e Socialismo e Fascismo de Theotonio dos Santos. O objetivo é investigar como ambos os autores, sob uma perspectiva marxista, procuram identificar a condição de dependência como fator determinante da realidade latino-americana. A problemática central do presente trabalho reside no fato que o nacionalismo na região é um conceito inserido em um debate teórico em disputa, uma vez que se situa entre duas vertentes antagônicas: uma de caráter oligárquico/reformista, buscando a preservação do sistema dependente, e outra de natureza revolucionária/popular, que procura a libertação nacional. A articulação entre os dois pensadores se mostra fundamental para entender que a dinâmica da dependência não é um fenômeno isolado, mas uma luta de classes de caráter continental, evidenciando a ruptura radical.
Para o autor argentino o “nacionalismo oligárquico” apenas mascara a submissão do continente aos trustes imperialistas e reprime a classe operária, utilizando-se de símbolos patrióticos e, de forma análoga, Theotonio identifica que sob regimes autoritários a burguesia adota um nacionalismo “xenófobo e subimperialista” que serve para manter a exploração sob o domínio do capital monopólico internacional. Nesse sentido, os dois pensadores convergem na conclusão que “A burguesia dos países atrasados é, pois, essencialmente capitulacionista” (DOS SANTOS, p. 111), ou seja, ela troca soberania e desenvolvimento nacional pelo apoio econômico e segurança interna garantidos pelo imperialismo, logo, tal classe é estruturalmente incapaz de ser nacionalista, uma vez que seu lucro depende da integração subordinada ao capital estrangeiro. Para Spilimbergo, a síntese entre o movimento de massas e a ideologia revolucionária é o que permite a libertação real, apontando para a necessidade de uma unidade federativa latino-americana, baseando-se na tese defendida por Simón Bolívar da Pátria Grande, superando, assim, a fragmentação imposta pelo imperialismo. Logo, na etapa atual do desenvolvimento do sistema capitalista a questão nacional no pensamento político da região só encontra solução no socialismo, definido por Theotonio como a única “alternativa válida” à dependência.
Dessa forma, é perceptível que as conclusões dos dois autores no que tange à questão nacional nos países da América Latina apontam para a ruptura com o Estado burguês, ainda que se apresente com caráter anti-imperialista como Perón na Argentina, como a única alternativa emancipadora. Portanto, esse trabalho busca desenvolver a ideia de que o verdadeiro nacionalismo, revolucionário, só pode ser concretizado se for liderado pelo proletariado, ou seja, é indissociável da luta de classes.
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