PARA ALÉM DO ÚTIL: REVISITANDO AS PRELEÇÕES FILOSÓFICAS DE SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA

Autores

  • DANIELLY LIMA DOS SANTOS Autor

Palavras-chave:

Silvestre Pinheiro Ferreira; Filosofia Brasileira; Ilustração; história da filosofia moderna; filosofia brasileira.

Resumo

Ao olhar para a Ilustração luso-brasileira, em um Brasil ainda em formação, os historiadores da filosofia dividem-se, em geral, em duas vertentes principais: uma que parte de um olhar histórico, no qual o aspecto prático é colocado como demarcador; outra que considera os autores luso-brasileiros em si, entendendo que a filosofia não pode ser determinada apenas por seu contexto histórico. Esta exposição enquadra-se na segunda vertente e coloca em cena Silvestre Pinheiro Ferreira, padre da Ordem do Oratório, que, após o fim da Companhia de Jesus em Portugal, tornou-se a instituição religiosa mais importante na divulgação das ideias iluministas no Reino. Ele chega ao Brasil em 1810, dois anos após a mudança da Corte, onde procurou fazer conferências filosóficas no Real Colégio. Pinheiro Ferreira é um luso-brasileiro que foge da visão tida como hegemônica pelos historiadores da filosofia no Brasil-Colônia, pois seu sistema não se limitou a defender o aspecto utilitário e a aplicação prática da filosofia. Ele diverge da tendência do empirismo mitigado, que concebe a filosofia como ciência operativa, trazendo à tona debates ignorados por tais filósofos. Sua principal obra, intitulada Preleções Filosóficas sobre a Teoria do Discurso e da Linguagem, a Estética, a Diceósina e a Cosmologia, composta de 30 capítulos, foi produzida em solo brasileiro. Nela, Pinheiro Ferreira assume um empirismo segundo o qual tudo começa na sensação, mas, para que as sensações venham a ser articuladas em conhecimento, é preciso que sejam objetivadas, o que, por sua vez, só pode ocorrer mediante o desenvolvimento da linguagem. Essa posição o leva a problematizar teorias filosóficas como a de Condillac que, a seu ver, apesar de empirista, colocaria em risco a objetividade, ou melhor, o realismo do qual o luso brasileiro é defensor, pois, se a conformação fisiológica determina a concepção de nossas ideias, as ideias de um indivíduo jamais corresponderiam às de outro, já que emanam de reações orgânicas intransferíveis. Nesta comunicação, percorremos a obra principal de Silvestre Pinheiro Ferreira, supracitada, de modo a apresentar sua teoria filosófica. 

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Publicado

2026-10-02