ENTRE O TEATRO E A FILOSOFIA: A VISITA DE SARTRE AO BRASIL
Palavras-chave:
drama; Jean-Paul Sartre; Teatro Oficina; existencialismoResumo
Para Sartre, a literatura, em seu aspecto mais geral, provoca a possibilidade de desvelar a condição humana ao próprio homem; ela se torna um espelho crítico e traz ao leitor a consciência de seu lugar no mundo. Pela própria ambiguidade da escrita, por ser significação e ao mesmo tempo fruto do imaginário, é que a literatura pode mostrar ao próprio leitor sua condição. Nesse sentido é preciso ter em conta que o imaginário se faz a partir do real, o real por sua vez parece necessitar do imaginário, para que, através da literatura, possa ser compreendido, não isolando a imaginação apenas em um campo abstrato. O que encontramos nas obras de arte é a relação entre o imaginário e a realidade, sobretudo na obra literária, que para Sartre também abarca a relação entre estética e ética. Diante dessas primeiras ideias sobre como Sartre compreende a arte, podemos dizer que suas peças buscam expor ao público exatamente a responsabilidade pelas escolhas que seus personagens fazem e as ações individuais que justificam os atos dos personagens, que estão o tempo todo divergindo e entrando em conflito uns com os outros. Assim, a exposição de conflitos se mostra extremamente relevante para o desenvolvimento da ação que é tão cara à exposição dramática. É nesse sentido que encontramos um Sartre tão engajado em sua filosofia, como no teatro que vinha consolidando como “teatro de situações”, temática que também foi amplamente discutida em sua passagem pelo Brasil. Entre conferências e discussões acadêmicas em torno de sua filosofia, Sartre também se reuniu com jovens atores e dramaturgos brasileiros para tratar sobre seu teatro de situações e a importância de um teatro engajado. Todas essas teorias chamaram a atenção do público jovem, foi o que aconteceu com uma das maiores companhias teatrais de nosso país: Teatro Oficina. Entretanto, a produção teatral e literária como um todo não pode ser vista como uma ilustração de sua filosofia, ao invés de exemplificar teorias filosóficas, essas manifestações artísticas cumprem uma função ontológica e ética, pois convocam a liberdade do leitor e exigem sua ação. É no imaginário que posições críticas têm início, e são as artes que conseguem expressar as singularidades de situações concretas que o ensaio filosófico pode não alcançar. Desse modo, podemos afirmar que literatura e filosofia são distintas, mas que em Sartre não se dissociam.
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