A INCORPORAÇÃO EM PERSPECTIVAS HILEMÓRFICAS: UMA ABORDAGEM CRÍTICA DA TESE DE WILLIAM JAWORSKI
Palavras-chave:
Filosofia da mente, Relação mente-corpo, Incorporação, Hilemorfismo.Resumo
O objetivo desta comunicação é oferecer uma crítica à tese da incorporação de William Jaworski a partir da interpretação tomista da unidade do intelecto e da prioridade ontológica da forma proposta por Peramatzis. Na obra Structure and the Metaphysics of Mind (2016), Jaworski defende que a tese da incorporação é a posição padrão (default) de toda teoria hilemórfica, segundo a qual todas as capacidades psicológicas dos indivíduos são essencialmente incorporadas em suas partes orgânicas, isto é, operam em virtude dessas partes. Na perspectiva de Jaworski (2016), Aristóteles e Tomás de Aquino negam a tese da incorporação por defenderem a operação do intelecto sem órgãos do corpo. Argumentamos, no entanto, com base nos parágrafos 10 e 11 de A unidade do intelecto, contra os averroístas (2017), que a perspectiva aristotélica, sob a ótica da interpretação tomista, pode ser considerada essencialmente incorporada, uma vez que defende a união da psiquê com o corpo enquanto forma deste último. A interpretação de Tomás se opõe à leitura dualista de Averróis, a qual considera o intelecto uma substância distinta que opera extrinsecamente ao composto de corpo e alma. Aquino defende a operação da potência intelectiva em e através da unidade essencial do composto, sendo a alma atualidade primeira da potencialidade material do corpo. Ademais, tendo em vista a prioridade ontológica da forma em relação à matéria proposta por Peramatzis (2010), a qual encontra ressonância na Suma contra os gentios (2015), livro II, capítulo 68, cogitamos a possibilidade da operação de potências da psiquê em virtude de sua prioridade ontológica e não das partes orgânicas. Por fim, diferentemente de Jaworski, propomos que a tese da incorporação em perspectivas hilemórficas deve considerar a operação das capacidades psicológicas não apenas em virtude das partes orgânicas de um indivíduo, mas também da prioridade ontológica de sua forma ou estrutura.
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