A MORALIDADE DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO
Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Ética da Tecnologia, Agência Moral, AlteridadeResumo
O avanço acelerado dos sistemas de Inteligência Artificial (IA) no século XXI impôs à filosofia moral a necessidade de rever categorias clássicas tais como agência, responsabilidade e alteridade em contextos mediados por algoritmos e sistemas computacionais. Este trabalho busca investigar implicações éticas e pragmáticas do uso generalizado de modelos de inteligência artificial, analisando como a reflexão ética pode auxiliar a compreender as implicações pragmáticas de tal uso na sociedade contemporânea. Neste trabalho, propõe-se examinar o estatuto moral dos agentes artificiais sob a perspectiva de teses defendidas por David Gunkel, em The Machine Question: Critical Perspectives on AI, Robots (2012), and Ethics e Robots Rights (2018), sobre o estatuto moral de máquinas dotadas de certas capacidades e habilidades que simulam condutas humanas, por exemplo, linguísticas, confrontando teorias que atribuem deveres ou direitos aos agentes naturais como a ética da alteridade de Emmanuel Levinas, em Entre nós: Ensaios sobre a alteridade (2010) e a crítica à instrumentalização corporativa de dados. Propõe-se que, ao articular a história das ideias morais com os problemas sociais e tecnológicos atuais, a reflexão ética contemporânea busca oferecer um instrumento crítico indispensável para fundamentar diretrizes de governança ética, proteção de dados e regulação humana sobre a inteligência artificial diante dos novos fenômenos tecno-sociais gerados pelas tecnologias da comunicação e informação contemporâneas, principalmente no que diz respeito ao estatuto moral de agentes artificiais. Em especial, abordaremos criticamente a proposta de Judith Donath, no artigo The Ethical Use of Powerful Words and Persuasive Machines (2020), segundo a qual devemos refletir sobre nossas interações com entidades artificiais criadas para interagir conosco como se fossem indivíduos sencientes e autônomos, por exemplo, os Grandes Modelos de Linguagem (LLMs, em inglês), que imitam o comportamento linguístico humano. Donath levanta algumas perguntas interessantes como, por exemplo, como nossas relações atuais com entidades artificiais podem alterar nossas relações com seres humanos, pergunta esta que procuraremos investigar.
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