ESCALANDO A MENTE: ESTRATÉGIAS ENATIVISTAS PARA O PROBLEMA DE  CAUSAÇÃO

Autores

  • ANNAIS ALMEIDA DE BARROS Autor

Palavras-chave:

Enativismo, Causação Mental, Escalonamento Cognitivo, Movimento 4E's

Resumo

O presente artigo investiga o problema da causação mental a partir da perspectiva  enativista, analisando como a abordagem busca superar as limitações do cognitivismo clássico e o  dualismo mente-corpo. Fundamentado no conceito de autopoiese de Varela e Maturana, do clássico De Máquinas e Seres Vivos: Autopoiese – A Organização do Vivo, o enativismo defende que a  mente emerge da interação corporificada entre o organismo e o ambiente, dissolvendo o dualismo  cartesiano ao tratar os estados mentais como ativos, situados e corporificados. Mesmo que promissora, a teoria enfrenta o desafio de explicar as capacidades cognitivas superiores sem  recorrer a representações tradicionais. Para tanto, neste trabalho examinam-se duas frentes de  resposta. A primeira, refere-se ao escalonamento ascendente, proposto por Hutto e Myin, no  Enativismo Radical (REC). A estratégia ascendente, apresentada em Evolving Enactivism: Basic  Minds Meet Content, adota uma arquitetura tipo duplex, mantendo a cognição básica estritamente não representacional e atribuindo o surgimento das funções cognitivas superiores a processos de  aculturação e a manipulação prática de símbolos públicos e contextos socioculturais. Já a segunda, refere-se ao escalonamento descendente, de Di Paolo, Cuffari e De Jaegher. A estratégia  descendente, presente no livro Linguistic Bodies, rejeita a divisão em níveis, propondo  continuidade sem rupturas entre a vida biológica e as capacidades linguísticas. Neste, a cognição  superior é explicada como um desdobramento da agência corporificada através da produção  participativa de sentido em interações sociais. Ambas as estratégias buscam explicar capacidades cognitivas complexas sem recorrer a representações mentais tradicionais para responder ao problema da causação. Assim, o enativismo atualiza o debate sobre a causação mental ao substituir  a causalidade linear intracraniana por uma causalidade circular e sistêmica. Mesmo que a primeira  estratégia necessite de explicitação quanto às condições normativas e de sucesso do conhecimento  prático e, a segunda estratégia, permite um modelo contínuo que integra agência biológica e inteligência linguística sem abdicar da corporeidade, o enativismo demonstra que é possível  sustentar a relevância causal e ativa da mente preservando seu compromisso anti-representacionista central.

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)