ESCALANDO A MENTE: ESTRATÉGIAS ENATIVISTAS PARA O PROBLEMA DE CAUSAÇÃO
Palavras-chave:
Enativismo, Causação Mental, Escalonamento Cognitivo, Movimento 4E'sResumo
O presente artigo investiga o problema da causação mental a partir da perspectiva enativista, analisando como a abordagem busca superar as limitações do cognitivismo clássico e o dualismo mente-corpo. Fundamentado no conceito de autopoiese de Varela e Maturana, do clássico De Máquinas e Seres Vivos: Autopoiese – A Organização do Vivo, o enativismo defende que a mente emerge da interação corporificada entre o organismo e o ambiente, dissolvendo o dualismo cartesiano ao tratar os estados mentais como ativos, situados e corporificados. Mesmo que promissora, a teoria enfrenta o desafio de explicar as capacidades cognitivas superiores sem recorrer a representações tradicionais. Para tanto, neste trabalho examinam-se duas frentes de resposta. A primeira, refere-se ao escalonamento ascendente, proposto por Hutto e Myin, no Enativismo Radical (REC). A estratégia ascendente, apresentada em Evolving Enactivism: Basic Minds Meet Content, adota uma arquitetura tipo duplex, mantendo a cognição básica estritamente não representacional e atribuindo o surgimento das funções cognitivas superiores a processos de aculturação e a manipulação prática de símbolos públicos e contextos socioculturais. Já a segunda, refere-se ao escalonamento descendente, de Di Paolo, Cuffari e De Jaegher. A estratégia descendente, presente no livro Linguistic Bodies, rejeita a divisão em níveis, propondo continuidade sem rupturas entre a vida biológica e as capacidades linguísticas. Neste, a cognição superior é explicada como um desdobramento da agência corporificada através da produção participativa de sentido em interações sociais. Ambas as estratégias buscam explicar capacidades cognitivas complexas sem recorrer a representações mentais tradicionais para responder ao problema da causação. Assim, o enativismo atualiza o debate sobre a causação mental ao substituir a causalidade linear intracraniana por uma causalidade circular e sistêmica. Mesmo que a primeira estratégia necessite de explicitação quanto às condições normativas e de sucesso do conhecimento prático e, a segunda estratégia, permite um modelo contínuo que integra agência biológica e inteligência linguística sem abdicar da corporeidade, o enativismo demonstra que é possível sustentar a relevância causal e ativa da mente preservando seu compromisso anti-representacionista central.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 ANNAIS ALMEIDA DE BARROS (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.