MATERIALISMO FRENTE À SUBJETIVIDADE: REDUÇÃO E NEGAÇÃO DAS QUALIA
Palavras-chave:
Filosofia da mente, Materialismo, Reducionismo, Qualia, Chalmers.Resumo
A ascensão da neurociência, psicologia e das ciências cognitivas, no século XX, impulsionou o materialismo como uma das principais correntes explicativas do mental. De modo geral, versões materialistas tratam do problema ontológico da relação mente e corpo, herdado do dualismo, eliminando-o, reduzindo-o ou o dissolvendo. Sua premissa, de maneira geral, é que a realidade é inteiramente física e todas as propriedades, incluindo as ditas mentais, derivam da matéria. O pretenso sucesso do fisicalismo se deve, dentre outros motivos, à sua aparente capacidade de explicar fenômenos complexos por meio da redução interteórica a componentes naturais mais fundamentais. A aposta das vertentes materialistas reducionistas na filosofia da mente é que os estados mentais sejam identificados a estados neurofisiológicos. A teoria da identidade de tipos busca identificar um tipo de estado mental a um tipo de estado cerebral, revelando uma equivalência ontológica forte, analisável objetivamente e observável em terceira pessoa. Assim, a dor, por exemplo, passa a ser identificada como uma ativação nas “fibras C”. Já a teoria da identidade de ocorrências possui como tese a ideia de que ocorrências de estados mentais são idênticas a ocorrências de estados cerebrais: a dor, seja de cabeça ou estômago, passa a ser identificada como uma ocorrência de disparos de certos neurônios específicos no cérebro ligados à sensação de dor. O materialismo eliminativista, por sua vez, afirma que inclusive os termos mentalistas da “psicologia popular”, como dor, desejo e medo, que expressam a ignorância a respeito dos estados fisiológicos do ser humano, devem ser eliminados e substituídos por outros, condizentes com a linguagem da neurociência. Tomando a distinção de Chalmers entre estados de ciência (Awareness) e consciência (Consciousness), buscamos argumentar, neste trabalho, que o materialismo, ao tratar apenas de questões ontológicas da relação mente e corpo, a matéria, abarca apenas os estados de ciência, deixando de lado os aspectos fenomenais, as qualia, que sobram como um resíduo inexplicado. Exploramos a corrente materialista, suas diferentes formas de abordagem, e analisamos como elas lidam com o problema da relação mente e corpo. Por fim, exploraremos as principais críticas ao reducionismo, revelando suas falhas apontadas pelos críticos dessa abordagem.
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