NOTAS SOBRE A INFLUÊNCIA DA EPISTEMOLOGIA ECOLÓGICA DE GREGORY BATESON EM YUK HUI
Palavras-chave:
Cosmotécnica; Informação; Feedback; Gregory Bateson; Yuk HuiResumo
No presente trabalho, investigamos o conceito de “cosmotécnica”, apresentado pelo filósofo chinês Yuk Hui, em interseção com a epistemologia ecológica de Gregory Bateson. Entendemos que, por “cosmotécnica”, Hui defende uma nova forma de se pensar as atividades técnicas e o desenvolvimento tecnológico no cenário global a partir da articulação local de modos de vida, visando a pluralidade ontológica e epistêmica como diversidade cultural necessária. Neste sentido, buscamos explicitar a influência do pensamento ecológico informacional batesoniano em relação ao de Hui, de modo a explicitar a relevância dos conceitos de “informação” e “feedback” para a elaboração teórica e política no contexto da tecnodiversidade articulada pelo filósofo chinês. No que diz respeito às definições dadas por Bateson, encontramos a “informação” como “uma diferença que faz diferença”, ao passo que “feedback” caracteriza a operacionalidade de um sistema fechado que é, simultaneamente, aberto, “no sentido de que os eventos que ocorrem dentro do circuito podem ser influenciados de fora ou podem influenciar eventos fora dele”. Por seu turno, considerando a leitura realizada por Hui no que toca tais conceitos, a aliança entre eles é apontada como importante para fundamentar a concepção de “cosmotécnica” como “política da natureza”, uma vez que relaciona um funcionamento sistêmico, que unifica e fragmenta, à experiência humana agenciada ao inumano. Portanto, ambos os conceitos batesonianos se fazem presentes na argumentação de Hui, colaborando com a proposta de superação de tendências dualistas em dois aspectos: a) na defesa de uma unidade entre cosmos/moral, humano/máquina, realocando a função da sensibilidade frente ao humano como fundamento de toda liberdade; e b) na fragmentação como sistematização, ao analisar a emergência das tecnologias como pluralidade sistêmica no cenário global. Trata-se de um diálogo com viés filosófico-interdisciplinar, em que utilizamos as obras Rumo a uma ecologia da mente, de Gregory Bateson, e Recursivity and contingency, de Yuk Hui.
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