A RESISTÊNCIA POLÍTICA NO TEMPO DO FIM COMO UMA RESISTÊNCIA CONTRA-ESTADO: PENSAR A “QUEDA DO CÉU” COMO A “AMEAÇA ATÔMICA”
Palavras-chave:
Tempo do Fim; Contra-Estado; Antropoceno; Diferença.Resumo
O presente trabalho busca compreender de que maneiras podem ser construídas resistências políticas no/ao atual momento de crise multifacetada identificado a partir da noção de Antropoceno. Articulando os conceitos de Tempo do Fim, do filósofo alemão Günther Anders, cunhado no contexto do terror atômico pós-guerra (publicados no Brasil na coletânea A Ameaça Atômica, Ubu, 2023), e que busca inflexionar o modo como o Sujeito se encontra a partir de tal momento no mundo, sobretudo postulando que já não há outra ação política possível que não seja justamente aquela que visa conservar a existência do mundo; e de Sociedade Contra o Estado, do etnólogo e filósofo francês Pierre Clastres - cuja preocupação central é demonstrar que subjaz à identificação de uma suposta falta de estrutura estatal nas sociedades ameríndias um argumento de teor etnocêntrico e que postula também a inatividade política nesses sociedades -, almejamos apresentar que há possibilidade de atravessar essa era cujo fim só pode ser o fim da espécie e de toda sua produção, desde que, contudo, sejam colocados em xeque justamente aqueles elementos fundantes do mundo que a engendrou. Nesse sentido, faz-se importante tomar como exemplo de prática Contra-Estado a luta dos povos indígenas na América Central e do Sul, sobretudo sua resistência histórica aos processos de colonização e genocídio engendrados desde o século XV (processos estes que constituem, ao menos para estes povos, fins inequívocos de seus mundos), assim como seu modo diferente de diferir, como aponta Viveiros de Castro em Os Pronomes Cosmológicos e o Perspectivismo Ameríndio, de 1996, e O Nativo Relativo, de 2002, e que constitui o cerne da ação política de resistência desses povos, exemplos estes que constituem a senguda parte de nosso trabalho. Concluímos, por fim, buscando mostrar justamente como essa noção diferente de diferir pode nos ajudar a desmontar certos pressupostos da sociedade moderna, postulando outro tipo de ação política possível, radicalmente diferente, e que podem, ao constituir formas de ação política Contra o Estado, resolver o problema de nossa era como colocado por Anders.
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