DAS DISPUTATIONES ÀS THESES - ANÁLISE DE DOCUMENTOS NO CAMPO DA FILOSOFIA NO BRASIL COLÔNIA.

Autores

  • VITOR LUIZ SALES BATISTA Autor

Palavras-chave:

História da Filosofia; Escolástica; Disputatio; Jesuítas; Colégio do Maranhão; Bento da Fonseca.

Resumo

O presente estudo analisa a evolução das metodologias pedagógicas no ensino da Filosofia, investigando o processo histórico de transição da disputatio de origem medieval para o formato de teses acadêmicas impresso e utilizado no início da modernidade. Toma-se como objeto central de investigação um conjunto de códices do século XVIII, representativo da produção de teses filosóficas do Colégio Jesuíta do Maranhão sob a presidência e orientação do mestre Bento da Fonseca. Para fundamentar essa trajetória, o trabalho mapeia a constituição das instituições de ensino desde o refúgio da cultura letrada nos mosteiros e escolas monásticas beneditinas, passando pela reforma das artes liberais no renascimento carolíngio com Alcuíno de York e pela fundamental recepção e difusão do pensamento filosófico-científico grego traduzido pelo mundo árabe em centros como Bagdá, Córdoba e Toledo. Explicita-se o surgimento das escolas catedrais e a posterior emergência das universidades medievais, no seio das quais se consolidou a Escolástica enquanto método pedagógico rigoroso pautado na investigação racional e assentado nas práticas estruturantes da lectio, da quaestio e da disputatio. Na sequência, analisa-se a assimilação e adaptação dessa herança escolástica pela Companhia de Jesus no século XVI, no contexto do debate entre aristotélicos e antiaristotélicos e da expansão ultramarina. Destaca-se o papel normativo da Ratio Studiorum na organização curricular do Curso de Artes, bem como a influência do aristotelismo renovado do Curso Conimbricense e do padre Pedro da Fonseca. A pesquisa examina detalhadamente a cultura material e o percurso dos documentos filosóficos maranhenses, demonstrando suas transformações físico-estéticas ao longo dos séculos e a dinâmica de sua circulação transatlântica: redigidos no Brasil Colonial, enviados a Portugal para impressão nas tipografias de Coimbra e Lisboa e remetidos de volta para as solenidades de conclusão pública de curso no Maranhão. Por fim, aborda-se a complexa questão da autoria do gênero filosófico-literário das teses — discutindo o papel do mestre enquanto propositor do programa e o do estudante como defensor. Conclui-se que esses opúsculos, mantidos em acervos como o da Biblioteca Pública de Évora, constituem fontes históricas e bibliográficas imprescindíveis para compreender as redes de circulação de saberes, a mentalidade e as práticas de ensino de filosofia no período colonial. 

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Publicado

2026-10-02