PENSAMENTO BRASILEIRO EM JOSÉ CHASIN: A VIA COLONIAL FRENTE AO IMPERATIVO DE IR PARA ALÉM DO CAPITAL

Autores/as

  • LEONARDO ALVES COSTA Autor/a

Palabras clave:

pensamento brasileiro; formação social brasileira; via-colonial; ofensiva socialista; sociometabolismo do capital.

Resumen

O objetivo do presente trabalho consiste na articulação entre a obra de José Chasin e István Mészáros. Argumenta-se que este esforço, além de evidenciar a particularidade da formação social brasileira, também a apresenta como um impedimento ontológico à efetivação das vias reformistas, apontando para a necessidade de uma ruptura radical. A tese de Chasin acerca da via colonial caracteriza a particularidade da constituição do capitalismo brasileiro como um processo retardatário que se realiza através da conciliação entre o velho e o novo (Chasin, 2026, p. 57). Uma das determinações de maior importância para a diferenciação entre o caso brasileiro e as vias clássicas é justamente o reformismo pelo alto, que exclui intencionalmente a participação popular no processo. Entretanto, tal diferenciação, embora fundamental, é insuficiente para sustentar a argumentação de uma particularidade brasileira propriamente dita. Afinal, no caso prussiano a modernização pelo alto também ocorreu e, assim como no Brasil, Chasin argumenta que “a grande propriedade rural é presença decisiva” nesta marcha (Chasin, 2026, p. 63). Qual seria, portanto, a especificidade do caso brasileiro de objetivação do capitalismo? Nesse sentido, a principal distinção entre a via prussiana com a via colonial consiste na diferença em sua gênese histórica e posição no sistema mundial. No contexto desta análise, o âmbito das vias não clássicas constitui o universal, já as diferenças de gênese e estrutura, o particular do caso brasileiro da via colonial.  Chasin utiliza a categoria de capitalismo hiper-tardio para ilustrar o momento histórico da efetivação deste modelo de produção no Brasil; modelo este que paga um alto tributo ao atraso, o que impossibilita o sucesso de estratégias que tentam democratizar a sociedade sem romper com essa estrutura de conciliação. É justamente com esta base que se insere a formulação de uma crítica às estratégias democrático-populares brasileiras. Mészáros aponta para a insuficiência das estratégias que se limitam ao campo institucional, fundamentando-se na argumentação de que o Capital é uma forma incontrolável de controle sociometabólico que sujeita todos os seres humanos ao seu jugo, independentemente de processos eleitorais. A questão central, no contexto deste debate, é que as estratégias reformistas que focam apenas na manifestação de algumas das contradições do Capital, como a distribuição de renda, desemprego etc., ao invés de ficarem na raiz destes problemas: a contradição capital-trabalho, estão fadadas ao fracasso. Além disso, o autor demonstra que o Estado, o Capital e o trabalho integram um sociometabolismo em que as partes se determinam reciprocamente, sendo inviável a emancipação do trabalho sem trabalhar para a superação do Estado e do Capital simultaneamente. Portanto, a alternativa socialista apresentada por Chasin e Mészáros se impõe como um programa máximo, mas o único possível para a superação das contradições do atual sistema de produção. No contexto brasileiro, onde a via colonial bloqueia historicamente a democracia real, a ofensiva socialista torna-se o único caminho para dissolver a objetividade reificada descrita por José Chasin. 

Publicado

2026-10-02