DE ADORNO A HABERMAS: DA FILOSOFIA DA CONSCIÊNCIA (AUFKLÄRUNG) À FILOSOFIA DA AÇÃO COMUNICATIVA: A QUESTÃO DA FORMA E DA COMUNICAÇÃO NA ATUAL MÚSICA POP IDENTITÁRIA BRASILEIRA

Autores

  • MARLON SANTOS TRINDADE Autor

Palavras-chave:

música identitária; forma; comunicação; influência; hit.

Resumo

 O objetivo é examinar, pela ótica da Teoria Crítica de Adorno e Habermas, a questão da forma musical e da força da comunicação na música pop identitária atual. Há hoje, nas mídias, um fenômeno, a saber: a arte musical pop que dá voz aos movimentos identitários. Sendo a forma musical um hit, o objetivo desse movimento é propagar o ideal mais espiritual ou humano, a saber, a luta identitária, e não necessariamente a forma musical. Assim, por trás de uma música ligeira, há uma forte mensagem transformadora. Tal ação é apelidada de operação “Cavalo de Troia”, na qual, por trás de um simples hit, há uma força identitária. Eis sua legitimidade: é a busca de cidadania. Nesse sentido sociológico, a forma musical aparece como mero invólucro, uma sacola de plástico descartável que carrega o conteúdo “cidadania”. Sendo a forma musical um hit, a ideia é analisar de que forma o ideal identitário se identifica com a linguagem da cultura de massa, na qual a comunicação atinge a maioria. Se a proposta é divulgar um ideal, o hit da cultura de massa propaga a ideia de cidadania. Esse será o imaginário simbólico musical de um povo, de um espírito (Geist) em determinado tempo (Zeit). Segundo Habermas, o capital e o Estado se apropriam dos elementos simbólicos da cultura de nosso “mundo da vida” de forma violenta e sutil. Dessa forma, a comunicação entre eles se dará pelo uso dos hits; esses hits são criações da indústria cultural [Adorno]. Eis uma questão nas culturas de massa, em que o reconhecimento dos elementos sonoros passa a ocorrer, com raras exceções, por meio dos hits. Há até uma pequena gama de estilos diversos, mas todos programados em hits. Tal adequação da forma a um hit gera uma normatização da apreciação estética, sendo que tudo o que o movimento identitário não quer é a normatização pautada em modelos retrógrados, administrados e normativos. Tal normatização nega a singularidade. Assim, os movimentos identitários estão reforçando a normatização no plano estético ao se acoplarem à padronização da indústria cultural. Os ouvidos ficam normativos, conservadores, não valorizando a singularidade, e sim o normativo, o de massa. A grande questão é que, em Adorno, a obra de arte é espírito sedimentado. Portanto, um problema estético é um problema social.

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)