O CONCEITO DE AUFKLÄRUNG NA FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO DE HEGEL: DA CRÍTICA À RAZÃO ABSTRATA À AUTORREALIZAÇÃO NA SITTLICHKEIT
Palavras-chave:
Iluminismo; Hegel; eticidade; razão.Resumo
A presente proposta de pesquisa investiga a fundamentação dialética do conceito de Iluminismo (Aufklärung) na filosofia de G. W. F. Hegel, com foco na obra Fenomenologia do espírito (1807). O problema central reside em compreender como Hegel opera a crítica à razão iluminista - caracterizada por ele como “percepção pura” (reine Einsicht) - sem, contudo, abandonar o projeto da racionalidade. Diferentemente das interpretações clássicas de Kant, Locke ou Diderot, que situam a autonomia da razão na subjetividade individual ou no empirismo, a hipótese de trabalho sustenta que Hegel concebe o Iluminismo como um momento necessário e sistêmico do desenvolvimento do Espírito (Geist). A pesquisa buscará demonstrar que, para Hegel, a superação das contradições iluministas (especialmente a dicotomia entre fé e razão e o colapso na liberdade absoluta e terror) só se efetiva na eticidade (Sittlichkeit), em que a razão deixa de ser uma abstração subjetiva para se tornar a substância ética da vida coletiva. O cerne do problema reside na ambivalência da razão iluminista. Se, por um lado, ela promove a dessacralização do mundo e a crítica ao dogmatismo, por outro, Hegel demonstra como o Iluminismo promove uma superação de si próprio cuja manifestação se dá em caráter coletivo. Surge, então, a indagação central: como a obra de 1807 articula a transição daquilo que Hegel chama de “luta contra o erro” para a manifestação da eticidade? De que modo é possível estabelecer essa passagem da liberdade absoluta, cujo momento de culminância é a Sittlichkeit? Como o conceito de Iluminismo em Hegel nos permite compreender as limitações e os avanços do Iluminismo do século XVIII? Metodologicamente, o projeto fundamenta-se na análise imanente do texto hegeliano, em diálogo com a bibliografia comentadora contemporânea. Justifica-se a relevância do estudo pela necessidade de reavaliar o lugar de Hegel na tradição da modernidade, questionando a vulgata que o posiciona meramente como um “anti-iluminista”, quando, na verdade, sua filosofia propõe uma autorrealização da razão que pressupõe e transcende os acúmulos do século XVIII.
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