PARTICIPAÇÃO E SEPARAÇÃO: A RESPOSTA AO PROBLEMA DO MÚLTIPLO NA PRIMEIRA PARTE DO PARMÊNIDES DE PLATÃO

Autores

  • VICTOR LUIZ DIAS VIANNA Autor
  • MARISA LOPES Autor

Palavras-chave:

Parmênides; teoria das Formas; participação; separação; multiplicidade.

Resumo

O presente trabalho investiga a relação entre as noções platônicas de participação (méthexis) e separação (chorismós) na resposta de Sócrates ao problema da multiplicidade, apresentado por Zenão na primeira parte do diálogo Parmênides. A discussão tem início em 127e, quando Zenão sustenta que, se os entes são múltiplos, então devem ser simultaneamente semelhantes e dissemelhantes, concluindo que a multiplicidade é impossível. Sócrates procura responder a essa dificuldade deslocando a discussão para o âmbito das Formas (eídos), em especial por meio das Formas da semelhança e da dissemelhança. Ao admitir que as coisas participam dessas Formas, Sócrates pode explicar como um mesmo ente pode ser semelhante e dissemelhante simultaneamente, sem que essa situação implique a contradição apontada por Zenão, contanto que a semelhança e a dissemelhança sejam consideradas sob aspectos distintos. A participação constitui, assim, um elemento fundamental da argumentação de Sócrates para preservar a possibilidade do múltiplo. No entanto, a introdução das Formas e da participação conduz a uma questão acerca da relação que se estabelece entre as Formas e aquilo que delas participa, isto é, os entes particulares que compõem a multiplicidade sensível. Em 130b, Parmênides explicita essa questão ao perguntar a Sócrates se ele distingue, separando de um lado as Formas e, de outro, as coisas particulares, distinção essa que introduz a noção de separação. A partir desse questionamento, as objeções de Parmênides passam a explorar as consequências da concepção das Formas, colocando em questão sua extensão e quais tipos de Formas Sócrates admite, além da própria relação entre os domínios do inteligível e do sensível. Desse modo, o problema da multiplicidade, que inicialmente aparentava ter sido resolvido por Sócrates, constitui o ponto de partida para uma questão ainda mais ampla acerca da compatibilidade entre participação e separação. Assim, a pesquisa visa compreender de que modo a participação possibilita a Sócrates responder ao problema do múltiplo levantado por Zenão, além de investigar em que medida essa resposta, ao pressupor uma separação entre Formas e entes sensíveis, implica dificuldades para a ontologia platônica. Busca-se, assim, examinar se a resposta socrática é capaz de preservar a possibilidade do múltiplo sem comprometer a unidade das Formas das quais os particulares participam. A análise concentra-se, sobretudo, nas passagens compreendidas entre 127e e 132b e será realizada mediante a reconstrução dos argumentos presentes no diálogo e o confronto com a bibliografia especializada sobre o Parmênides.

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)