ECOLOGIA E SOCIALISMO HOJE E ONTEM: UM BALANÇO CRÍTICO ENTRE DEGROWTH MANIFESTO E A NECESSIDADE DE RETORNO AO ÚLTIMO MARCUSE
Palavras-chave:
ecologia; socialismo; aceleracionismo; decrescimento.Resumo
O presente trabalho busca explorar os apontamentos da obra Slow Down: The Degrowth Manifesto (2024), de Kohei Saito. Tomando vista de uma robusta reunião de dados estatísticos e uma minuciosa análise crítica dos discursos mais hegemônicos da economia política “sustentável”, Saito ataca três pontos chaves destas teses: capitalismo verde, aceleracionismo e decrescimento. Contudo, a obra recua do ponto de vista filosófico e sociológico, repousando parte das análises nos estudos ecléticos de Ulrich Brand e Markus Wissen e sua crítica ao chamado Modo de Vida Imperialista e que, munido de uma mistura autoral de Marx, Gramsci, Foucault e Bourdieu – além de visões decoloniais –, propõe um Modo de vida Solidário como resposta à catástrofe climática anunciado pelo capitalismo. Contraposto ao texto de Saito, podemos encontrar os trabalhos da última década de vida de Herbert Marcuse (1898-1979), cujos quais foram dedicados à questão ecológica, escritos nos Estados Unidos em meio à Guerra do Vietnã e ao Choque do Petróleo. Nesses curtos ensaios, o escritor d’O Homem Unidimensional parece encontrar algum vestígio de materialidade para contestar a própria visão pessimista da práxis – como chegou a considerar seu colega Erich Fromm. Não se sucede aqui qualquer tentativa de anular ou diminuir as investigações propostas pelo livro de Saito, mas de preencher lacunas visíveis, inevitavelmente projetadas para além da crítica ao modelo econômico. Marcuse, cujas investidas se orientam através da crítica do progresso técnico e da obsolescência da alienação em tempo integral, podem oferecer a necessária justeza que falta à crítica de Saito no âmbito sociológico e filosófico. O indivíduo da sociedade capitalista avançada, que nos anos 1960 perdia sua dimensão crítica e se esterilizava das tendências radicais em face do processo de introjeção, agora ganha uma nova dinâmica na década seguinte – ele não parte apenas da natureza da luta de classes no interior da sociedade capitalista –, agora também da incorporação da luta pela não-alienação da natureza e seu direito à ela.
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