A ALTERIDADE NA FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO, DE MERLEAU-PONTY

Autores

  • PEDRO RAGAINI Autor

Palavras-chave:

alteridade; abertura; subjetividade; Merleau-Ponty.

Resumo

 O problema da alteridade, apesar de não ser explorado de maneira exaustiva por comentadores da fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, opera como uma linha interpretativa relevante para a obra do autor. Desde o prefácio da Fenomenologia da percepção, o encontro com outrem já impõe ao método da redução fenomenológica de Edmund Husserl uma certa dificuldade: haveria sempre algum perfil do objeto fenomênico ao qual o sujeito perceptivo não conseguiria ter acesso, o que o interditaria da capacidade de reduzi-lo por completo. Todo objeto resguarda em si mesmo um Para Outro. Se eu admito que outrem é também um sujeito e que ele se relaciona comigo, então sou outrem para ele. Mas, se isso é verdade, existe um Para Outro de mim mesmo que é diferente de meu Para Mim. Logo, há algo de mim mesmo que me escapa, o que consequentemente é verdade para todos os outros objetos que percebo. Somos, assim, condenados à impossibilidade da dominação epistemológica absoluta de um objeto percebido. Essa face da alteridade poderia ser considerada negativa aos olhos de quem almeja conhecer o mundo de maneira rigorosa. Afinal, ela atesta que perceber algo é irremediavelmente perceber-se percebendo, isto é, encontrar-se situado na percepção e proibido de se relacionar com um puro objeto. Contudo, essa mesma face nos revela simultaneamente seu anverso mais produtivo: ela constata a abertura do sujeito à alteridade, aquilo que o impede de encerrar-se sobre si mesmo, em uma identidade de sua consciência consigo. A abertura do sujeito ao outro, encontrada pela redução, nos mostra sua potencialidade precisamente ao declarar a identidade como uma falsa promessa. A posse de nosso sentido por nós mesmos nunca está completa. Excedemo-nos por essa abertura a um horizonte de porvir marcado pela presença de um outro com quem nos relacionamos. O que pretendemos, então, com esta comunicação, é compreender de que maneira a abertura do sujeito perceptivo à alteridade é significativa para Merleau-Ponty e como ela funda, também, uma nova noção de uma subjetividade em devir.

 

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)