A TEORIA DOS ATOS DE FALA APLICADA NA ARTE PICTÓRICA E A FORÇA ILOCUCIONAL DA ARTE

Autores

  • CAIO LUIZ FARIA VIEIRA Autor

Palavras-chave:

filosofia da linguagem; atos de fala; estética; arte.

Resumo

Este trabalho se propõe a dar continuidade à discussão que Daisy Dixon faz em seu texto Altarpieces: Artworks as Shifting Speech Acts sobre a arte. Nesse texto, ela se ancora na teoria dos atos de fala de John Langshaw Austin para argumentar que obras de arte visuais também podem realizar atos de fala - ações como celebrar, advertir, ameaçar, criticar etc - que são tipicamente realizadas com palavras. Na filosofia da linguagem, os atos de fala são estudados na chamada pragmática. A partir do quadro Guernica (1937), de Pablo Picasso, Dixon mostra que pinturas também podem realizar tais atos. Nesse caso em específico, ela mostra como o quadro de Picasso pode ser entendido como “falando” contra a guerra, isto é, como realizando um ato de fala sem palavras com a força ilocucionária de um protesto. Para entendermos melhor como funciona o entendimento de uma obra de arte e como ela pode “falar” conosco, peguemos o quadro Guernica, de Picasso. Teremos dois tipos diferentes de significados nela: um que seria um significado raso e o outro profundo. Podemos olhar o quadro de Picasso e entender que ele retrata a Guerra Civil Espanhola, e isso seria o significado raso que ele traria, mas, ao escutarmos atentamente a esse quadro, podemos ver que existem bulbos de luz, que retratam um bombardeio. A partir disso, juntando com o contexto vivido nos anos de 1930, mais especificamente em 1937, podemos acessar um significado mais profundo sobre o quadro. Esse significado é o Picasso dizendo que a guerra é uma barbárie. A partir do simbolismo, a arte fala. Tendo a diferença de significado entre profundo e raso, temos que polir um pouco essa ideia. Podemos pensar que um significado raso pode ser contido em uma descrição da obra, como, por exemplo, em Guernica; seu significado raso seria a destruição de Guernica pelo bombardeamento e a guerra civil. Ora, o seu significado profundo seria o seu tema: “a guerra é uma barbárie”. Mas a arte pode ir além desses limites; ela pode carregar um sentido moral, e esse sentido moral não está necessariamente vinculado com o seu sentido profundo; o significado raso também pode carregar esse aspecto. Os dois significados se complementam; um não é superior ao outro. Então, é muito importante prestarmos atenção ora em sua forma, ora no conteúdo que está sendo retratado.

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)