FLEXIBILIDADE LABORAL E SOFRIMENTO SOCIAL NO PRECARIADO ATRAVÉS DA FILOSOFIA SOCIAL

Autores

  • RAUL CADAMURO MACHADO Autor

Palavras-chave:

Precariado; Sofrimento Social; Filosofia Social; Mundo do Trabalho

Resumo

 Esta pesquisa tem como objetivo abordar uma reflexão crítica filosófica através do conceito de sofrimento social dentro do mundo do trabalho, retomando tanto a sociologia do trabalho, com as obras de Ruy Braga, Ricardo Antunes e outros autores, como a filosofia social, com Theodor Adorno, Franck Fishbach e Emmanuel Renault. No entanto, apesar da dificuldade em se fazer uma reflexão através do sofrimento social, mostra-se legítima a investigação e retomada da crítica social a partir de referências sociológicas-políticas ao sofrimento. É possível, através do sofrimento social, notar os mecanismos de funcionamento da sociedade, notando a luta de classes e relacionando-se diretamente com o precariado, a fração precarizada da classe trabalhadora. Diante disso, a filosofia oferece os instrumentos para perceber a normatividade que consta nesse movimento e, assim, construir uma crítica social. De forma mais clara, podemos notar isso ao estabelecer que existe uma promessa - normativa - executada pela burguesia e que não é inteiramente cumprida. Isso tornou-se mais nítido com a concretização da metamorfose neoliberal no final do século XX e interpretada, dentro do mundo do trabalho, por Robert Castel e Guy Standing: o que notamos é uma forte desilusão de uma vida digna através do trabalho, ou a própria “flexibilidade” empreendedora do trabalho. Ademais, a questão da politização e da organização coletiva também transpassa o tema: o afastamento da politização dos trabalhadores, logo também do entendimento de exploração do trabalho, elaborado pela nova razão do mundo, apresentada por Dardot e Laval, dificulta o entendimento do sofrimento no trabalho. A partir do momento em que os trabalhadores deixam de ter uma voz ativa no mundo do trabalho, seja individualmente ou coletivamente, torna-se mais complexo relacionar o seu sofrimento à exploração no trabalho, não seguindo a “lógica” de levar, necessariamente, à rebelião. Para além de um entendimento do sofrimento individual, conclui-se, assim, que esse estado precário e flexível constitui um forte mecanismo contra a crítica social, legitimando ainda mais a necessidade de uma retomada teórica pela via da filosofia social. A hipótese deste estudo é que a flexibilidade no trabalho imposta pelo neoliberalismo funciona como um dispositivo de individualização que, mesmo dificultando uma ação coletiva, ainda constitui na luta de classes um estado de permanente inquietação. O sofrimento, por mais oculto que seja, ainda assim converte-se em luta. Conclui-se, assim, que esse estado precário e flexível, de fato, constitui um mecanismo eficaz de neutralização da crítica social; no entanto, não barra a insurreição do proletariado diante da lógica neoliberal.

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Publicado

2026-10-02

Edição

Seção

Resumos - Temas Filosóficos em Geral (Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea)