FILOSOFIA BRASILEIRA E PENSAMENTO DECOLONIAL: CONTRIBUIÇÕES PARA PENSAR O ENSINO DE FILOSOFIA A PARTIR DE EPISTEMOLOGIAS SITUADAS
Keywords:
Filosofia brasileira; pensamento decolonial; ensino de Filosofia; epistemologias críticas; colonialidade.Abstract
O presente trabalho propõe uma reflexão acerca das aproximações entre a filosofia brasileira e o pensamento decolonial, tomando como ponto de partida a pesquisa de doutorado sobre o ensino, em especial o de Filosofia, fundamentado em epistemologias críticas e situadas. Parte-se do diagnóstico de que a tradição filosófica ensinada nas instituições brasileiras foi historicamente constituída sob a hegemonia do cânone europeu, reproduzindo pressupostos universalistas que invisibilizaram modos de pensar produzidos em contextos latino-americanos e brasileiros. O problema que orienta esta investigação consiste em compreender em que medida o debate sobre a filosofia brasileira pode contribuir para uma prática filosófica comprometida com a crítica à colonialidade do saber e com a valorização das múltiplas matrizes culturais que constituem a experiência nacional. A hipótese defendida é que o pensamento decolonial não representa uma ruptura com a tradição da filosofia brasileira, mas um de seus desdobramentos contemporâneos, ao aprofundar questões já presentes em autores que reivindicam uma filosofia enraizada na realidade histórica, social e cultural do Brasil. Nesse sentido, a discussão sobre a existência de uma filosofia brasileira desloca-se da busca por uma identidade filosófica essencial para a compreensão da filosofia como produção situada, capaz de dialogar criticamente com diferentes tradições sem reduzir-se à reprodução de modelos europeus. Tal perspectiva aproxima-se das concepções de multirreferencialidade e de valorização dos problemas concretos da realidade brasileira, bem como das críticas decoloniais à universalização de epistemologias produzidas em contextos específicos de poder. Metodologicamente, a pesquisa possui caráter bibliográfico e fundamenta-se no diálogo entre autores da filosofia brasileira e pensadores decoloniais, articulando-os às discussões sobre ensino de Filosofia. A análise evidencia que categorias como localidade, colonialidade, pluralidade epistemológica e justiça cognitiva oferecem importantes contribuições para repensar tanto o estatuto da filosofia produzida no Brasil quanto as práticas de ensino desenvolvidas na educação básica e superior. Conclui-se que o fortalecimento da filosofia brasileira, em diálogo com o pensamento decolonial, possibilita a construção de um ensino de Filosofia comprometido com a democratização dos saberes, o reconhecimento da diversidade de experiências históricas e culturais e a formação de sujeitos capazes de interpretar criticamente a realidade brasileira. Desse modo, a filosofia deixa de ocupar apenas o lugar de transmissão de uma tradição consolidada para afirmar-se como prática reflexiva situada, plural e socialmente comprometida.
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