O FAZER FILOSÓFICO: DA ESTRUTURA À LITERATURA

Autores

  • GABRIEL VON PRATA LAZARO Autor

Palavras-chave:

Estruturalismo; Racionalidade; Crise; Tecnologia; Literatura

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre a escrita em filosofia a partir da recepção do método estruturalista no Brasil. Dado o legado francês, em primeiro momento, busca-se compreender o pano de fundo científico deste método que defende o rigor e a sistematicidade. Questões que envolvem a crise da racionalidade moderna serão tema de destaque, uma vez que convém discutir a cientificidade do método estruturalista em um contexto marcado pela crise do próprio conceito de ciência e do próprio conceito de razão. No presente trabalho, tal percurso é o ponto de partida para repensar o fazer filosófico no contexto brasileiro, o qual é assim descrito: a defesa do rigor é orientada pelo método que funciona como uma tecnologia textual capaz de trazer à superfície o sistema que compõem as relações conceituais. No entanto, as bases desse vínculo científico são abaladas com a crise da racionalidade e a evidência da colonização que apaga diferentes saberes. Nesse contexto, o objetivo da presente reflexão é conduzir até a ideia de que outras formas de fazer filosofia são possíveis. Essas possibilidades são entendidas a partir da perspectiva de que o texto é uma tecnologia que se compõe por diferentes técnicas. Este é o foco do trabalho: defender que é possível utilizar outras técnicas e tecnologias literárias para pensar o fazer filosófico; isso é feito através da investigação crítica da consolidação das práticas acadêmicas em filosofia no Brasil. Busca-se propor que o fazer filosófico, dessa forma, pode se utilizar de diferentes tecnologias literárias: afinal, ao longo da história da filosofia, utilizou-se fartamente das metáforas, técnica típica da poesia, e que é amplamente utilizada em textos filosóficos; o que ilustra que é possível utilizar técnicas literárias, segundo os interesses da reflexão filosófica. Dessa forma, o presente trabalho apresenta uma análise sobre a herança dos interesses científicos nas ciências humanas, segundo o método estruturalista, o qual é contrastado pelo contexto da crise da ciência e razão moderna. Esse caminho é afunilado em direção às técnicas e tecnologias literárias que podem oferecer novas e velhas ferramentas para o fazer filosófico. Entre a herança colonizadora, entre a crise que rompe com as estruturas, a filosofia pode pedir emprestado à literatura para seguir refletindo.

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Publicado

2026-10-05