OS ESPAÇOS CIRCUNSCRITOS (CANTINHOS) COMO AMBIENTES DE COOPERAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Palavras-chave:
Cooperação; Educação Infantil; Espaços Circunscritos.Resumo
Esta pesquisa, fundamentada nos princípios da Educação Integral, investigou o potencial pedagógico de espaços circunscritos (cantinhos) na Educação Infantil, com foco no desenvolvimento das relações de cooperação em crianças de 4 a 5 anos de idade, incluindo duas crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa, de natureza qualitativa e abordagem participativa, foi realizada em uma escola particular do interior de São Paulo, envolvendo 15 crianças em 10 encontros. Metodologicamente, organizaram-se quatro cantinhos (supermercado, casinha, mecânico e escritório) de forma colaborativa com as crianças, utilizando materiais concretos e recicláveis. Os dados foram coletados por meio de observação participante, registros em diário de campo e fotografias, analisados à luz da construção de interações cooperativas e resolução de conflitos, a partir da teoria de Jean Piaget. Os resultados demonstraram que os cantinhos promoveram: (1) negociação autônoma de regras e papéis sociais, (2) desenvolvimento de empatia e inclusão, especialmente nas interações com as crianças com TEA e (3) resolução de conflitos. Destaca-se o caso de um aluno com TEA que, embora apresentasse hiperfoco em objetos específicos (máquina registradora), engajou-se progressivamente nas dinâmicas coletivas. Conclui-se que os espaços circunscritos, quando intencionalmente mediados, configuram-se como ambientes privilegiados para uma educação integral, articulando dimensões cognitivas, sociais e emocionais, conforme previsto na LDB (art. 29). O estudo reforça a importância da escuta ativa das crianças no planejamento de ambientes educativos e da postura docente como facilitadora de processos de autonomia e cooperação.