EDUCAÇÃO MORAL E FUNÇÕES EXECUTIVAS NA INFÂNCIA: REFLEXÕES SOBRE POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DA ROTINA PEDAGÓGICA PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DE CRIANÇAS BEM PEQUENAS
Palavras-chave:
Educação Moral; Funções executivas; Rotina.Resumo
Este estudo teórico propõe refletir sobre as possíveis contribuições da rotina pedagógica para o desenvolvimento das funções executivas e da competência moral de crianças bem pequenas na Educação Infantil. Justifica-se pela relevância de compreender a infância como um período sensível para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, socioemocionais e morais, fundamentais para a formação integral do sujeito e para a convivência democrática, conforme orientam os documentos oficiais. O objetivo é analisar, à luz de referenciais clássicos e contemporâneos, como a rotina, quando planejada de forma intencional e ética, pode favorecer vivências significativas que promovam o autocontrole, a autorregulação, a autonomia e a promoção de valores morais desde os primeiros anos de vida. A metodologia adotada configura-se como estudo teórico com caráter qualitativo. Foram analisadas produções acadêmicas e documentos oficiais que discutem as relações entre rotina pedagógica, desenvolvimento moral e funções executivas na infância, sem a realização de coleta de dados empíricos. Os resultados apontam que, embora existam inúmeros estudos abordando isoladamente as funções executivas e a educação moral, são escassas as produções que articulam essas duas dimensões em diálogo com a rotina pedagógica na Educação Infantil. As evidências teóricas analisadas indicam que os diferentes momentos da rotina — como acolhida, roda de conversa, leitura, alimentação e atividades coletivas — quando intencionalmente organizados, favorecem o exercício de habilidades cognitivas e socioemocionais, bem como a vivência de valores como respeito, cooperação e justiça. Conclui-se que a rotina pedagógica representa um espaço privilegiado de incentivo do desenvolvimento moral e cognitivo na primeira infância, destacando-se a necessidade de futuras pesquisas empíricas que investiguem, na prática, as potencialidades e desafios dessa articulação, bem como a importância de investir em formação docente que vise o desenvolvimento integral.