DIVERSIDADE, CURRÍCULO E MORALIDADE: UMA INTERDEPENDÊNCIA NECESSÁRIA
Palavras-chave:
Educação; diversidade; currículo; moralidade; autonomia moral.Resumo
Este artigo propõe, a partir de uma revisão bibliográfica, uma análise da autonomia moral, constructo elaborado por Jean Piaget, em articulação com os desafios e possibilidades da diversidade no contexto escolar brasileiro. Argumenta-se que o desenvolvimento da moralidade autônoma — fundamentado no respeito mútuo, na cooperação e na descentração — depende diretamente de práticas pedagógicas que reconheçam e valorizem a pluralidade de identidades, saberes e experiências presentes na escola. A partir do exame de documentos curriculares oficiais (como a BNCC e as Diretrizes para as Relações Étnico-Raciais), bem como de autores críticos como Nilma Lino Gomes, bell hooks[1] e Boaventura de Sousa Santos, defende-se que a diversidade não deve ser tratada como tema periférico, mas como eixo estruturante de uma educação ética, democrática e reparadora. A presença ativa da diversidade no currículo escolar é compreendida aqui como condição para a formação de sujeitos morais autônomos e para a promoção da justiça e da reparação histórica no espaço educativo.