A AUTODETERMINAÇÃO DA VONTADE ATRAVÉS DO MODELO DOSSISTEMAS DE AÇÕES E OPERAÇÕES SOBRE SÍMBOLOS E SIGNOS
Palavras-chave:
Filosofia; Epistemologia Genética; VontadeResumo
O presente trabalho visa a investigação da constituição da vontade como estrutura e funcionamento autodeterminada(o) do sujeito, sob o referencial teórico da Epistemologia Genética e do Modelo dos Sistemas de Esquemas de Ações e Operações sobre Símbolos e Signos (MoSEAOSS), desenvolvido por Tassinari (2014). A pesquisa é feita com o espírito de mostrar a vontade como fruto (e motor, a partir de seu surgimento) da estrutura cognitivo-afetiva do sujeito em contínuo processo de auto-organização-adaptação. Com a capacidade de realizar transfigurações
(operações interiorizadas sobre símbolos) e suas coordenações, no período operatório concreto, de acordo com o MoSEAOSS, identifica-se na criança a capacidade de estabelecer relações causais e valorativas suficientes para o surgimento, identificação e realização de sua vontade. Tal vontade é, portanto, um regulador de si própria e de toda a realidade construída pelo sujeito, e de grau superior, no sentido que pode submeter os estímulos mais imediatos a ela própria, em especial, os desejos e aversões. Sua manifestação se dá, então, na atividade autônoma, caracterizada por ser aquela que se inclina ao que é estabelecido racionalmente para o sujeito ou, com maior grau de especificidade, no que diz respeito à compreensão do sujeito das causas e consequências de seus atos, mais do que atividades meramente guiadas pelo desejo. A conclusão é de, com a vontade, o motor da ação não é externo, imposto ao sujeito, mas sim o próprio funcionamento de determinados esquemas de ações internas que visam o equilíbrio. Assim, a articulação da cognição e das afetividades construídas pelo sujeito resultam no surgimento da vontade e na sua autodeterminação, que é intencionalmente orientada e autojustificativa.