ADOECIMENTO DOCENTE NO CONTEXTO DA PLATAFORMIZAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DE WILHELM REICH
Palavras-chave:
plataformização; adoecimento docente; Wilhelm Reich.Resumo
Wilhelm Reich, psicanalista austro-húngaro pioneiro do Freudo-Marxismo, argumentava que as estruturas socioeconômicas e o autoritarismo moldam o psiquismo, materializando-se no corpo por meio da repressão libidinal. No cenário educacional atual, essa opressão ganha contornos específicos com a plataformização do ensino, que introduz infraestruturas digitais e lógicas algorítmicas no cotidiano escolar. Sob essa ótica, o adoecimento docente deixa de ser uma falha puramente individual, revelando-se como reflexo de um encouraçamento libidinal intensificado pelo ambiente tecnológico. A plataformização reconfigura o processo educativo com base na lógica neoliberal de monitorar, quantificar e padronizar as ações de professores e alunos, transformando a aprendizagem em mercadoria. Esta pesquisa teórico-bibliográfica analisa o avanço desse fenômeno e o adoecimento de professores à luz das contribuições de Reich. Os resultados apontam que o sistema intensifica a vigilância, impõe metas exaustivas e fragmenta o tempo pedagógico, destruindo a criatividade. O comportamento estático diante das telas provoca engessamento físico-motor e cansaço sensorial. As interações tornam-se empobrecidas e mediadas por ferramentas mecânicas (como chats e emojis), reduzindo o diálogo e a afetividade, as quais são essenciais à educação. Esse cenário parece converter a aula em um monólogo exaustivo, gerando isolamento e forte sentimento de inutilidade pedagógica no docente.