DO RUÍDO AO DOCUMENTO: PARRHESIA, PODER INVISÍVEL E EPISTEMICÍDIO EM DUAS BIBLIOTECAS BRASILEIRAS

Autores

  • HUMBERTO PINTO CAVALCANTE Autor

Palavras-chave:

Poder invisível; espermicídio; interdição do saber

Resumo

Este trabalho analisa dois episódios de interdição do saber em bibliotecas brasileiras, tomando-os como conflitos pela verdade na esfera pública. O primeiro, ocorrido em 2012 em uma escola da periferia de Teresina, caracterizou-se pelo fechamento da biblioteca após uma greve. Diante do esgotamento do diálogo institucional, um sujeito recorreu a uma ação direta sonora, estrategicamente calculada para não causar danos físicos, resultando na abertura do espaço. O segundo, em 2023-2024 na Universidade Federal do Maranhão, teve como fato gerador a inauguração de uma biblioteca central desprovida de acervo e infraestrutura básica, levando o mesmo sujeito a protocolar duas representações formais junto ao Ministério Público Federal, que as acolheu. A investigação, conduzida pelo método da pesquisa narrativa autobiográfica com triangulação documental, objetiva demonstrar como a parrhesia (FOUCAULT, 2010) constitui a categoria central de análise, modulando-se de forma imatura e anônima no primeiro caso para uma forma madura e documental no segundo. Mobiliza-se o poder invisível (BOBBIO, 2000) para qualificar as interdições como déficits democráticos e o epistemicídio (CARNEIRO, 2005) para historicizá-las como manifestações do racismo estrutural. Os resultados indicam que a luta pela verdade configura um ato político de enfrentamento ao poder que decide quem pode conhecer e quem deve permanecer na ignorância.

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Publicado

2026-07-30

Edição

Seção

Textos completos - Ciências Sociais, Filosofia e Educação Escolar