O PROTAGONISMO NA BNCC E A FORMAÇÃO (OU NEGAÇÃO) DA CONSCIÊNCIA DE CLASSE

Autores

  • ANA LAURA MISSI MEGLIO Autor
  • ANGELO ANTÔNIO PUZIPE PAPIM Autor

Palavras-chave:

Consciência de Classe, Protagonismo Juvenil; BNCC, Subjetividade, Currículo

Resumo

Este artigo analisa os sentidos atribuídos ao protagonismo juvenil na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e no Currículo Paulista do Ensino Médio, considerando suas implicações para a individualização das trajetórias escolares e para a formação da consciência de classe. Problematiza-se em que medida o protagonismo, tal como formulado nesses documentos, favorece a formação crítica e a participação política dos estudantes ou se articula à responsabilização individual por condições sociais e profissionais historicamente produzidas. Parte-se da hipótese de que a associação entre projeto de vida, competências socioemocionais, empregabilidade e pedagogia das competências tende a privilegiar a autogestão individual e a adaptação às exigências do trabalho flexível. O objetivo consiste em examinar os sentidos de protagonismo presentes nos documentos e suas relações com a reprodução de valores vinculados à sociabilidade capitalista. Trata-se de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, orientada pelo materialismo histórico-dialético. O corpus central é composto pela BNCC, de 2018, e pelo Currículo Paulista do Ensino Médio, de 2020; como material auxiliar, analisa-se o Caderno do Professor de Projeto de Vida destinado aos anos finais do Ensino Fundamental, utilizado para contextualizar a continuidade da matriz socioemocional na política curricular paulista. Os resultados indicam que o protagonismo é associado predominantemente à autoria individual, ao projeto de vida, à autonomia de escolha e à autogestão socioemocional, enquanto as determinações de classe e a participação política coletiva aparecem de modo secundário. Conclui-se que essa configuração pode enfraquecer as condições intelectuais e políticas necessárias à formação da consciência de classe, sem determinar mecanicamente as apropriações realizadas por professores e estudantes.

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Publicado

2026-07-31

Edição

Seção

Textos completos - Política Educacional, Gestão Escolar e Currículo