LINGUAGEM ESCRITA E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DE (DES)HUMANIZAÇÃO SOB A ÓTICA DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL
Palavras-chave:
Linguagem escrita; Educação Infantil; HumanizaçãoResumo
O presente trabalho problematiza práticas pedagógicas na Educação Infantil, que reduzem a linguagem escrita a exercícios mecânicos e treinamentos preparatórios para a alfabetização. Depreende-se que tais ações, esvaziadas da função social, contribuem substancialmente para a instauração de processos de alienação e (des)humanização da criança. Parte-se da concepção de que a apropriação da escrita constitui um processo genuíno de humanização, uma vez que esse instrumento cultural complexo possibilita à criança acessar formas historicamente elaboradas de comunicação, organização do pensamento e participação na cultura. Fundamentado em investigação bibliográfica na THC e na análise documental de material apostilado para a pré-escola, questiona quais sentidos a linguagem escrita deve assumir na pré-escola para favorecer a formação humana da criança. Defende-se que a relação que a criança estabelece com a linguagem escrita deve ocorrer por meio de experiências culturalmente sofisticadas, mediadas intencionalmente e articuladas à criação de necessidades de expressão e de comunicação. Nesse sentido, as práticas pedagógicas devem partir, nessa etapa, das vivências da criança, do percurso histórico de elaboração da linguagem escrita, promovendo a necessidade da compreensão da lógica estrutural dessa forma de linguagem. Os resultados preliminares indicam a necessidade de superar concepções naturalizantes, reafirmando o papel da Educação Infantil na promoção do desenvolvimento humano.